O primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestiniana, Mohammad Mustafa, anunciou hoje o envio a vários países e organizações internacionais do programa do executivo para a recuperação e reconstrução da Faixa de Gaza.
Num comunicado, o gabinete do primeiro-ministro palestiniano descreveu a iniciativa como “uma visão estratégica para as prioridades de recuperação e reconstrução” do enclave após a ofensiva israelita.
O programa contempla medidas urgentes para socorrer milhares de famílias deslocadas e ameaçadas por inundações nas zonas baixas da Faixa de Gaza, com a chegada do inverno.
Inclui também recomendações para a fixação do preço da água nos próximos três anos, com o objetivo de “evitar aumento de custos para a população e melhorar a eficiência dos operadores”, destacou ainda Mohammad Mustafa.
Por outro lado, o executivo da Autoridade Palestiniana, reconhecido internacionalmente e que governa partes da Cisjordânia, apelou à comunidade internacional para que exerça pressão no sentido de travar a aprovação, no parlamento de Israel, de um projeto de lei que permitirá a execução de prisioneiros palestinianos, considerando tratar-se de “mais uma demonstração do caráter extremista” do atual Governo israelita liderado por Benjamin Netanyahu.
A Autoridade Palestiniana reiterou a disponibilidade para implementar o plano de reconstrução em conjunto com os seus parceiros internacionais “logo que as condições no terreno o permitam”.
Entretanto, a situação humanitária em Gaza continua crítica, com o Programa Mundial de Alimentação (PMA) a alertar hoje que os fornecimentos que entram no enclave palestiniano, quase um mês após o cessar-fogo, representam apenas metade do necessário para cobrir as necessidades básicas da população.
Israel continua a impedir a abertura da passagem fronteiriça de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, para a entrada de ajuda humanitária, à qual se comprometeu no acordo de cessar-fogo. Atualmente, a pouca ajuda que entra em Gaza é feita através da passagem de Kerem Shalom, também no sul.
Esta situação dificulta a chegada regular de ajuda ao norte de Gaza, onde vivem centenas de milhares de civis e onde a ONU declarou, em agosto passado, uma situação de fome, que, advertiu, “continua por reverter”.
Além da destruição generalizada em Gaza e dos escombros que impedem a passagem de veículos pesados, a grande quantidade de explosivos por detonar constitui outro perigo constante.
A guerra que motivou o atual cessar-fogo, que entrou em vigor no passado dia 10 de outubro, começou em 07 de outubro de 2023, depois de o grupo radical palestiniano Hamas ter matado cerca de 1.200 pessoas em Israel e raptado 251, que levou para Gaza como reféns.
A retaliação israelita causou mais de 68.000 mortos na Faixa de Gaza e a destruição de grande parte das infraestruturas do território.














