Autoras de livro do movimento #MeToo dizem ter ouvido denúncia de assédio envolvendo Cotrim em 2024

Júlia Garraio, Maria João Faustino, Rita Santos e Sílvia Roque dizem ter sido abordadas por uma mulher jovem que atravessava “uma fase difícil da sua vida” devido a “situações de assédio sexual” atribuídas a alguém “muito influente na Iniciativa Liberal”

Revista de Imprensa
Janeiro 15, 2026
8:56

As autoras do livro ‘Metoo, um segredo muito público’ afirmam que Inês Bichão, a advogada que acusa João Cotrim Figueiredo de assédio sexual, lhes relatou o caso a 13 de junho de 2024, muitos meses antes de a denúncia se tornar pública. Num comunicado divulgado nas redes sociais, Júlia Garraio, Maria João Faustino, Rita Santos e Sílvia Roque dizem ter sido abordadas por uma mulher jovem que atravessava “uma fase difícil da sua vida” devido a “situações de assédio sexual” atribuídas a alguém “muito influente na Iniciativa Liberal”.

No mesmo texto, citado pelo ‘Correio da Manhã’, as autoras sublinham que a abordagem ocorreu num contexto de confidência e que apenas mais tarde souberam a identidade da alegada vítima, quando a sua fotografia foi divulgada pela comunicação social. “Este episódio não é o mesmo que ter presenciado assédio”, esclarecem, acrescentando, no entanto, que o relato demonstra que a acusação “não é uma efabulação de pré-campanha”, tendo sido feita “há, pelo menos, quase dois anos” a uma das investigadoras.

As autoras manifestam ainda solidariedade para com Inês Bichão e “com todas as mulheres que denunciam violência sexista”, enquadrando a situação no debate mais amplo sobre denúncias de assédio e desigualdade de poder.

Confrontado com o facto de as alegações circularem no interior do partido há cerca de dois anos, João Cotrim Figueiredo reiterou, esta quarta-feira, que não tinha conhecimento da denúncia. Em declarações exclusivas ao ‘NOW’, citadas pelo ‘Correio da Manhã’, o candidato presidencial descreveu o impacto pessoal da acusação, afirmando ter ficado “muito preocupado, espantado e dorido”, sem conseguir dormir. “Como é que uma pessoa se defende de uma acusação que não tem qualquer base e não tem contraditório possível?”, questionou, classificando a situação como “absolutamente angustiante”.

Entretanto, uma ex-jornalista veio reforçar publicamente o relato das autoras do livro. Num comentário à publicação no ‘Facebook’, Paula Cosme Pinto afirmou ter estado presente no dia em que Inês Bichão se aproximou do grupo, recordando “a expressão de fragilidade” com que fez o desabafo.

Inês Bichão, de 30 anos, deixou a Iniciativa Liberal em outubro de 2023 e contactou este grupo de mulheres mais de meio ano depois. A denúncia foi tornada pública recentemente através de mensagens partilhadas com “amigos chegados” no ‘Instagram’, tendo o caso ganho dimensão mediática na passada segunda-feira.

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