A inteligência militar ucraniana (HUR) divulgou a interceção de uma conversa onde é possível ouvir-se o estado crítico de abastecimentos entre as tropas russas na linha da frente: na conversa gravada, uma mulher russa descreveu as condições desumanas enfrentadas pelos seu conhecidos no exército de Vladimir Putin.
“Ficaram sentados num abrigo durante duas semanas, a comida acabou. Comeram tudo o que tinham. Até tomaram Theraflu [medicamento para combater os sintomas da gripe], mãe”, relatou a mulher russa, que apontou que os soldados foram abandonados sem comida na linha da frente e não conseguiram escapar durante dias. A mulher mencionou ainda que “Vanya, Dima e Seryozha” estavam entre os que ficaram presos num abrigo na lateral de uma trincheira.
O HUR concluiu a intercetação com a sua mensagem característica: “Para cada crime de guerra cometido contra o povo ucraniano, haverá justa retribuição.”
As tropas russas estão a enfrentar uma escassez tão severa de alimentos que recorreram a medidas desesperadas, incluindo, em alguns casos, comer cães. O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) divulgou no início de 2022 outra troca intercetada entre dois soldados russos. Um membro do serviço, estacionado na região de Kherson, perto da Crimeia, disse ao seu camarada que estavam com tanta fome que comeram um Yorkshire terrier. “Está tudo lixado. Os ucranianos estão a espancar-nos como crianças. Comemos cães, não temos comida. Hoje comemos um ‘Yorkie’: um Yorkshire terrier”, relatou um dos soldados.





