‘Arranha-prisão’: mais alto estabelecimento prisional do mundo está a nascer em Nova Iorque

Complexo de Detenção de Manhattan, apelidado de ‘The Tombs’, e o Centro Correcional Otis Bantum, em Rikers Island, deixarão de abrigar presos antes do final de novembro. As instalações abrigam atualmente cerca de 750 pessoas

Francisco Laranjeira
Abril 3, 2024
13:10

Chinatown, um dos bairros mais conhecidos de Nova Iorque, é conhecido devido às suas ruas estreitas e um poderoso senso de comunidade sentido pelos seus moradores. No entanto, o bairro no centro de Manhattan, ‘esprimido’ entre o SoHo e TriBeCa, passará a ser conhecido por outro motivo: ser o lar da prisão mais alta do mundo.

O Complexo de Detenção de Manhattan, apelidado de ‘The Tombs’, e o Centro Correcional Otis Bantum, em Rikers Island, deixarão de abrigar presos antes do final de novembro. As instalações abrigam atualmente cerca de 750 pessoas.

Conhecido como ‘Arranha-prisão’ pelos habitantes locais, a megaprisão de quase 100 metros de altura e 40 andares terá um terço da altura do Empire State Building e contará 1.040 celas. A sombra da imponente prisão vai estender-se por cinco quarteirões, o que deixará grande parte da área na escuridão durante o inverno.

Os moradores da White Street há muito lutam para não ter o Complexo de Detenção de Manhattan, também chamado de ‘The Tombs’, ‘no seu quintal’: no entanto, a demolição do quarteirão para dar lugar à torre da prisão provocou angústia. Ainda não estão lançadas as bases da nova prisão mas os moradores salientaram ao ‘The New York Times’ que estão a preparar-se para que as vidas só piorem. “Nós somos o depósito de lixo”, garantiu Jan Lee, cofundador do ‘Neighbours United Below Canal’, um grupo sem fins lucrativos que representa líderes e empresas locais.

Nova Iorque anunciou, em 2019, um plano de 8,3 mil milhões de dólares para construir quatro novas prisões em Manhattan, Queens, Brooklyn e Bronx para substituir Rikers Island.

Os ativistas passaram anos a lutar contra o projeto, processando com sucesso a cidade em 2020 para interromper temporariamente a construção. Mas uma decisão do tribunal de apelação no ano seguinte permitiu que o projeto fosse adiante.

Mais de 57 mil pessoas vivem em Chinatown, de acordo com dados de 2022, das quais 34.295 são descendentes de asiáticos. Aproximadamente um terço das pessoas que vivem no local da demolição têm 65 ou mais anos.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.