Arranca hoje o julgamento de dez pessoas acusadas de cyberbullying sexista contra Brigitte Macron

Começa hoje o julgamento de dez indivíduos acusados de cyberbullying sexista contra Brigitte Macron, primeira-dama francesa, no tribunal do estado norte-americano do Delaware.

Pedro Gonçalves
Outubro 27, 2025
8:00

Começa hoje o julgamento de dez indivíduos acusados de cyberbullying sexista contra Brigitte Macron, primeira-dama francesa, no tribunal do estado norte-americano do Delaware. O processo decorre de uma queixa formalizada pelo presidente Emmanuel Macron e pela esposa em agosto de 2024, após a disseminação de alegações falsas sobre o género da primeira-dama.

O caso envolve comentários maliciosos publicados online, direcionados ao género, à sexualidade e à diferença de idades entre Brigitte e Emmanuel Macron, incluindo insinuações que a equiparam à pedofilia. A audiência prolonga-se até 28 de outubro.

O processo surge na sequência de declarações da influencer norte-americana de extrema-direita Candace Owens, aliada de Donald Trump, que alegou publicamente que Brigitte Macron não é biologicamente mulher. As acusações multiplicaram-se em redes sociais, chegando a milhões de seguidores, através de fotos manipuladas, documentos distorcidos e afirmações falsas que questionavam o casamento do casal e a integridade da República Francesa.

Em resposta, o presidente francês Emmanuel Macron declarou a intenção de provar em tribunal que a esposa é, de facto, do género feminino. “Queremos esclarecer os factos e mostrar a verdade perante a Justiça”, disse o advogado do casal, indicando que poderiam ser apresentados dados científicos e fotografias para comprovar o sexo de Brigitte Macron, mãe de três filhos do primeiro matrimónio e casada com Macron desde 2007.

A reação de Candace Owens não se fez esperar. A influencer escreveu nas redes sociais: “És um homem muito ridículo, Brigitte. Mas tenho de admitir, tens tomates”. A provocação insere-se num ecossistema de influencers conservadores ligados à agenda de Donald Trump, que exploram de forma recorrente temas como raça, género e migrações. Entre eles destaca-se o falecido Charlie Kirk, recentemente assassinado, cuja presença mediática moldava debates de extrema-direita nos Estados Unidos.

O advogado do casal Macron sublinha que o julgamento deverá analisar se os acusados agiram com malícia e desprezo pela verdade, estabelecendo a linha entre a liberdade de expressão e o insulto, conforme definido pela jurisprudência americana.

Segundo a legislação dos EUA, provar a difamação contra figuras públicas exige demonstrar que os réus tiveram conhecimento da falsidade das alegações ou agiram com negligência grave, tornando o processo juridicamente complexo. O caso é notável também pelo facto de envolver o presidente e a primeira-dama de um país estrangeiro a apresentar queixa em território norte-americano, uma situação sem precedentes recentes.

O julgamento decorre durante esta semana e está previsto até 28 de outubro, com transmissão em circuito fechado nos tribunais, dada a sensibilidade do caso e a dimensão mediática internacional.

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