Argentina em choque: assassinato brutal de 3 jovens mulheres foi transmitido online no Instagram

Descoberta na passada quarta-feira desencadeou protestos em mais de uma dúzia de cidades argentinas. O movimento feminista “Ni Una Menos”, que surgiu em 2015 para dar visibilidade à violência de género, levou milhares de pessoas às ruas para exigir justiça e condenar o Governo central de Javier Milei

Francisco Laranjeira
Setembro 26, 2025
13:50

A Argentina vive horas de choque depois da descoberta dos corpos de Brenda del Castillo e Morena Verdi, ambas com 20 anos, e Lara Morena Gutiérrez, de 15 anos, que foram sequestradas, torturadas e esquartejadas por um grupo ligado ao narcotráfico em Florencio Varelo, na periferia sul de Buenos Aires.

A brutalidade do caso gerou indignação no país, não apenas pela violência, mas também porque os assassinos transmitiram online o ataque para um grupo seleto de 45 espectadores. Segundo as autoridades argentinas, “toda a sessão de tortura e assassinato” foi transmitida ao vivo na rede social ‘Instagram’ pelos próprios agressores como um “ato de disciplina” para outros membros da organização criminosa. Num trecho do vídeo, um dos líderes grita: “Isso é o que acontece com quem rouba as minhas drogas!”

Uma das vítimas, Lara Morena Gutiérrez, teve os cinco dedos da mão esquerda e parte de uma orelha amputados antes de ser morta.

O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, declarou na passada quarta-feira que “tudo indica que se tratou de um ato de vingança de um grupo internacional de traficantes com sede na cidade de Buenos Aires”.

Quatro pessoas foram presas com ligações ao crime – um homem e uma mulher encontrados no local, e um casal que era dono da casa onde os corpos foram encontrados. Mais oito pessoas foram presas posteriormente. As forças de segurança procuram o suposto mandante, conhecido como “Pequeno J” ou “Julito”, um peruano de 23 anos que, de acordo com os media argentinos, procura consolidar o seu poder dentro do grupo criminoso.

O ministro da Segurança da Província de Buenos Aires, Javier Alonso, salientou, ao canal de notícias local ‘TN’, indicou que “o motivo era disciplinar; era construir uma imagem terrorista para o líder da organização”, garantindo que as três mulheres foram enganadas para chegar à casa onde o crime ocorreu. “Elas acreditavam que iriam participar de um evento para o qual haviam sido convidadas. Foram por vontade própria com alguém que havia conquistado a sua confiança”, afirmou.

Os corpos foram enterrados e esquartejados em frente a uma casa localizada a 45 quilómetros de Ciudad Evita. A descoberta na passada quarta-feira desencadeou protestos em mais de uma dúzia de cidades argentinas. As manifestações, que se concentraram em localidades como Mar del Plata, La Tablada, Córdoba, Rosário, La Plata e Florencio Varela, assim como no bairro das Flores, na capital do país, reuniram um grande número de pessoas que exigiram o fim dos femicídios e o aumento da segurança para as mulheres. Vários manifestantes lamentaram o aumento da violência de género e afirmaram que, em 2025, uma jovem foi morta a cada 36 horas. As organizações e movimentos feministas convocaram também uma grande marcha para este sábado em todo o país sob o lema “Nenhuma vida é descartável”.

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