Areia, mar e… muita gente: Estas são as praias europeias com mais queixas (e há uma portuguesa na lista)

De acordo com o relatório, oito das dez praias mais criticadas a nível mundial por excesso de turistas situam-se na Europa. No topo da lista está La Pelosa, na ilha italiana da Sardenha, onde 87% das críticas negativas mencionam diretamente a presença excessiva de pessoas.

Pedro Gonçalves
Agosto 7, 2025
12:03

A Praia de Bournemouth, no Reino Unido, lidera o ranking das praias europeias mais criticadas por turistas, segundo um novo relatório baseado em avaliações da plataforma TripAdvisor. O estudo, conduzido pela empresa de tecnologia Cloudwards, analisou mais de 1,3 milhões de críticas para identificar os locais mais frequentemente alvo de queixas, destacando um problema crescente nas costas europeias: a sobrelotação.

De acordo com o relatório, oito das dez praias mais criticadas a nível mundial por excesso de turistas situam-se na Europa. No topo da lista está La Pelosa, na ilha italiana da Sardenha, onde 87% das críticas negativas mencionam diretamente a presença excessiva de pessoas. “Era uma manhã de semana em meados de setembro e, mesmo assim, as multidões faziam lembrar o centro de Londres, Nova Iorque ou Sydney na véspera de Ano Novo”, descreveu um utilizador da TripAdvisor.

A Praia de Bournemouth, conhecida pelas suas areias extensas e pela proximidade a zonas urbanas, ocupa o primeiro lugar entre as praias europeias mais criticadas e o quinto lugar a nível mundial. As queixas incidem, sobretudo, na limpeza e na aglomeração de veraneantes.

Outros destinos italianos também se destacam negativamente: Spiaggia La Cinta, na costa leste da Sardenha, ficou em segundo lugar na categoria de praias mais sobrelotadas. Portugal surge logo a seguir com a Praia da Falésia, no Algarve, que ocupa a quarta posição, seguida por Cala Comte, em Ibiza, e pela Konnos Bay, no Chipre.

Embora menos visada por sobrelotação em comparação com Itália e o Reino Unido, a Grécia destaca-se noutros aspectos negativos. A Lagoa de Balos, na ilha de Creta, foi classificada como a sétima praia mais suja a nível mundial, com quase metade das críticas negativas a mencionarem falta de limpeza e 40% a referirem excesso de visitantes.

Já Elafonissi, também em Creta, conhecida pelas suas águas rasas e areias rosadas, foi a sétima praia mais criticada globalmente. Mais de 70% das avaliações desfavoráveis referem a sobrelotação, embora haja menos menções a ruído ou sujidade.

Outra praia grega mencionada foi Porto Katsiki, na ilha de Lefkada, que surge no top 10 global das mais barulhentas e perturbadoras. Curiosamente, este destino também consta da lista das “50 Melhores Praias do Mundo” em 2025, ocupando o 36.º lugar – um reflexo da crescente tensão entre popularidade turística e sustentabilidade ambiental.

A Cloudwards baseou a sua análise em mais de 1,3 milhões de avaliações de 200 das praias mais visitadas do mundo, todas disponíveis na TripAdvisor. As queixas foram categorizadas em quatro temas principais: sujidade, sobrelotação, filas e ruído. Através de filtros de palavras-chave, foi atribuído a cada praia um “índice de reclamação” entre 0 e 100, sendo que valores mais altos indicam maior frequência de queixas.

Este método permitiu identificar até praias de renome mundial, como Waikiki Beach, no Havai, que obteve a pontuação máxima de 100 – infelizmente, pelos piores motivos.

Medidas para conter o turismo em excesso
Face ao aumento das queixas e aos impactos negativos nos ecossistemas locais, algumas regiões europeias têm vindo a adotar políticas mais restritivas para gerir o fluxo de turistas e preservar os seus recursos naturais.

Na Sardenha, várias medidas foram implementadas para proteger as zonas costeiras mais frágeis, como limites diários de visitantes, reservas obrigatórias e até proibições ao uso de toalhas em certas praias, com o objetivo de evitar a erosão das areias.

Na Grécia, foi introduzida em 2025 uma nova taxa de entrada de 20 euros para passageiros de cruzeiros que visitem locais sobrelotados como Mykonos ou Santorini. Já em Espanha, foram proibidas bebidas alcoólicas em algumas praias e aplicadas multas para dissuadir comportamentos desrespeitosos.

Estas ações integram um esforço mais alargado para lidar com os efeitos do sobreaturismo em vários pontos da Europa – desde os centros históricos das cidades até às orlas costeiras. A promessa dourada de umas férias perfeitas à beira-mar está, para muitos viajantes, a ser posta à prova por multidões, caos e a crescente discrepância entre expectativa e realidade.

Num tempo marcado por imagens filtradas e fama viral, até o paraíso pode ter um ponto de rutura.

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