Aquecimento global pode “sobrecorrigir-se” e levar a nova era glacial, alertam cientistas

Estudo liderado pela Universidade da Califórnia, em Riverside (EUA) apontou que haveria um defeito no ciclo do carbono que permitiria ao planeta compensar o excesso de CO₂ de forma ‘exagerada’

Francisco Laranjeira
Outubro 4, 2025
12:00

Um novo artigo científico reacendeu uma teoria controversa: segundo o ABC, investigadores acreditam que mecanismos naturais da Terra podem “sobrecorregir” o aquecimento global e desencadear uma nova idade de gelo.

O jornal espanhol revelou um estudo liderado pela Universidade da Califórnia, em Riverside (EUA), que apontou que haveria um defeito no ciclo do carbono que permitiria ao planeta compensar o excesso de CO₂ de forma ‘exagerada’. Esse processo implicaria que, ao aumentar as temperaturas, houvesse uma forte erosão das rochas silicatadas pelas chuvas, libertando minerais que absorvem dióxido de carbono e removem-no da atmosfera. Esse mecanismo poderia acelerar a queda de temperatura a longo prazo, levando a uma glaciação planetária.

Paradoxo climático: da crise ao arrefecimento

O diário ‘ABC’ explicoua que os cientistas veem a Terra como uma espécie de termostato natural. Assim, se a concentração de CO₂ na atmosfera crescer demais, o aquecimento resultante provocaria processos que acabam por “puxar” de volta esse carbono — por exemplo, pelo aumento da erosão ou pelo crescimento de plancton que captura CO₂ e deposita-o nos sedimentos marinhos.

No modelo simulado pelos autores do estudo, esse ciclo poderia causar uma queda descontrolada da temperatura a longo prazo, algo que atualmente seria impossível de observar nas próximas gerações humanas. Eles alertaram que, mesmo que a Terra venha a arrefecer dessa forma, o processo seria demasiado lento para beneficiar quem vive hoje.

Essa teoria tem pouco apoio entre a comunidade científica até ao momento. Não se espera que se veja uma nova idade de gelo em séculos ou milénios. Para os autores, a discussão não deve servir como desculpa para nada: ainda é urgente limitar as emissões atuais de gases com efeito de estufa, referiram os especialistas.

Além disso, destacaram que a resposta natural da Terra não será rápida nem suficiente para reverter os riscos imediatos do aquecimento global. Ou seja, mesmo admitindo algum “travão” climático a longo prazo, não nos salva dos impactos numa escala temporal humana.

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