Apesar das vendas em alta, carros a GPL podem desaparecer da Europa após 2030: o que está em causa?

Apesar de as vendas deverem crescer cerca de 10% até 2025, o combustível é visto por vários fabricantes como uma solução de transição, com viabilidade limitada após 2030

Automonitor
Janeiro 30, 2026
18:17

Os automóveis a GPL continuam a vender bem na Europa, mas o seu futuro poderá estar seriamente comprometido já na próxima década. Apesar de as vendas deverem crescer cerca de 10% até 2025, o combustível é visto por vários fabricantes como uma solução de transição, com viabilidade limitada após 2030.

De acordo com o ‘Motor1’, este crescimento tem sido impulsionado sobretudo pelo Grupo Renault, através da Dacia. Ainda assim, o diretor de vendas da marca romena, Frank Marotte, afirmou à ‘Automotive News Europe’ que o GPL deixará de ser uma solução comercialmente viável depois de 2030, devido ao aperto das regras europeias sobre as emissões de dióxido de carbono.

Emissões e pressão regulatória

A transição para a mobilidade elétrica está a avançar mais lentamente do que o inicialmente previsto, mas é considerada inevitável no médio e longo prazo. Nesse contexto, o GPL surge como uma tecnologia intermédia, beneficiando de emissões de CO₂ cerca de 10 gramas por quilómetro inferiores às da gasolina, mas mantendo-se como um combustível fóssil.

Segundo o ‘Motor1’, esta limitação estrutural poderá tornar-se decisiva à medida que os limites médios de emissões das frotas se tornem mais rigorosos, especialmente a partir de 2030, reduzindo a margem de manobra dos construtores para continuarem a apostar nesta tecnologia.

Dacia domina um mercado cada vez mais concentrado

Atualmente, o número de fabricantes que continuam a apostar no GPL é reduzido. A Dacia lidera claramente este segmento, oferecendo versões a gasolina e GPL desenvolvidas internamente para grande parte da sua gama de motores de combustão. Modelos como o Sandero Stepway, o Duster, o Jogger e o Logan concentram a maioria dos registos de veículos a GPL na Europa.

Em 2025, foram vendidos cerca de 347.717 veículos a GPL no mercado europeu, com o Grupo Renault a deter uma quota de 89%. A Itália manteve-se como o maior mercado, com 141.147 unidades vendidas, seguida de Espanha e França. A Roménia destacou-se com um crescimento de 47%, impulsionado pela forte procura pelos modelos da Dacia.

Além da marca do grupo francês, a oferta inclui a italiana DR Automobiles, que comercializa SUV de origem asiática adaptados ao mercado europeu, como os DR 3.0, DR 5.0 e DR 6.0. Em alguns países, existem ainda propostas da Hyundai e da Kia em segmentos compactos, como o Bayon e o Picanto, enquanto marcas de nicho como a DFSK e a EMC completam a oferta em segmentos específicos.

Ainda faz sentido comprar um carro a GPL?

Apesar das incertezas, o GPL continua a ser, no curto prazo, uma das soluções mais económicas para os consumidores. O combustível é mais barato do que a gasolina, a tecnologia é simples e fiável, e os modelos bicombustível oferecem maior autonomia. Para quem percorre muitos quilómetros por ano, sobretudo fora dos grandes centros urbanos, a poupança nos custos de utilização continua a ser significativa.

A longo prazo, porém, o cenário é menos favorável. A decisão da Comissão Europeia de reduzir a meta de corte de emissões de CO₂ para 90% até 2035 poderá beneficiar motores híbridos plug-in e veículos com extensor de autonomia, mas dificilmente colocará o GPL no centro da estratégia de descarbonização. Com os investimentos a concentrarem-se nos veículos elétricos e híbridos, a oferta de modelos a GPL deverá diminuir de forma gradual na próxima década.

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