“Ameaça imperialista”: Venezuela anuncia mobilização militar maciça após chegada do maior navio de guerra dos EUA às Caraíbas

A Venezuela anunciou uma “mobilização maciça” das suas forças armadas em resposta ao aumento da presença militar dos Estados Unidos no Mar das Caraíbas, depois de Washington ter deslocado para a região o porta-aviões USS Gerald R. Ford, o maior navio de guerra do mundo.

Pedro Gonçalves
Novembro 12, 2025
11:34

A Venezuela anunciou uma “mobilização maciça” das suas forças armadas em resposta ao aumento da presença militar dos Estados Unidos no Mar das Caraíbas, depois de Washington ter deslocado para a região o porta-aviões USS Gerald R. Ford, o maior navio de guerra do mundo. A medida, que inclui o destacamento de unidades terrestres, navais, aéreas e de reserva, foi descrita pelo ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, como uma resposta direta à “ameaça imperialista” representada pelo reforço das forças norte-americanas.

Segundo noticiou a CNN Internacional, os exercícios militares — que se estendem até quarta-feira — foram ordenados pelo presidente Nicolás Maduro e enquadram-se no chamado “Plano de Independência 200”, uma estratégia cívico-militar destinada a mobilizar simultaneamente forças regulares, milícias e polícias para defender o país. Padrino López afirmou que o objetivo é “otimizar o comando, o controlo e as comunicações”, reforçando a capacidade de resposta da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB).

A mobilização envolve não apenas as forças armadas regulares, mas também a Milícia Bolivariana, uma força de reserva composta por civis criada por Hugo Chávez e inspirada em Simón Bolívar, o herói da independência latino-americana. O exército convencional venezuelano conta atualmente com cerca de 123 mil efetivos, embora Maduro afirme que o país dispõe de mais de 8 milhões de milicianos voluntários — um número que especialistas internacionais consideram inflacionado e cuja formação é frequentemente questionada.

A resposta de Caracas surge no momento em que os EUA intensificam a sua presença militar na América Latina. Na terça-feira, a Marinha norte-americana confirmou a chegada do USS Gerald R. Ford à zona de operações do Comando Sul, acompanhado de um grupo de ataque que inclui nove esquadrões aéreos, dois destróieres com mísseis guiados — o USS Bainbridge e o USS Mahan —, o navio de comando USS Winston S. Churchill e mais de 4.000 marinheiros. A decisão de enviar o grupo de ataque foi tomada pelo secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, no final de outubro.

Washington justifica o reforço militar na região com a necessidade de combater o tráfico de droga e o fluxo ilícito de narcóticos para o seu território. Nas últimas semanas, os Estados Unidos afirmam ter intercetado várias embarcações alegadamente ligadas ao narcotráfico. No entanto, o governo venezuelano vê esta concentração de forças como parte de uma estratégia para provocar uma mudança de regime, recordando que Donald Trump admitiu, no passado, ter autorizado operações secretas da CIA na Venezuela e ponderado “ataques dentro do país”, embora responsáveis da administração norte-americana garantam atualmente que não há planos nesse sentido.

Com a chegada do USS Gerald R. Ford, estima-se que existam agora cerca de 15 mil militares americanos destacados na região. A frota norte-americana nas Caraíbas inclui ainda o Iwo Jima Amphibious Ready Group e a 22.ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, num total de mais de 4.500 soldados, além de três destróieres, um submarino de ataque, um cruzador de mísseis guiados e aviões de reconhecimento P-8 Poseidon. Paralelamente, os EUA enviaram 10 caças F-35 e três drones MQ-9 Reaper para Porto Rico, que se tornou um centro estratégico das forças norte-americanas nas Caraíbas, onde operam atualmente cerca de 5 mil militares.

A escalada das tensões foi ainda marcada por missões de treino com bombardeiros norte-americanos junto à costa venezuelana, incluindo uma “demonstração de ataque” no final de outubro. Enquanto isso, Caracas mantém as suas forças em alerta máximo, afirmando que a mobilização nacional é uma demonstração clara de que a Venezuela “não se deixará intimidar” por qualquer presença militar estrangeira.

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