Aliados europeus da NATO respondem a ameaças de Trump e traçam linha vermelha sobre a Gronelândia

Vários líderes europeus da NATO divulgaram uma declaração conjunta contundente em que reafirmam que a Gronelândia pertence ao seu povo e que apenas a ilha e a Dinamarca têm legitimidade para decidir sobre o seu futuro.

Pedro Gonçalves
Janeiro 6, 2026
13:02

Vários líderes europeus da NATO divulgaram uma declaração conjunta contundente em que reafirmam que a Gronelândia pertence ao seu povo e que apenas a ilha e a Dinamarca têm legitimidade para decidir sobre o seu futuro, numa resposta direta às reiteradas intenções manifestadas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir o controlo do território por razões de segurança nacional.

Na declaração, os líderes sublinham que a região do Árctico é uma prioridade estratégica para a Aliança Atlântica e que os aliados europeus estão a reforçar a sua presença, atividades e investimentos para garantir a segurança da área e dissuadir potenciais adversários. “A NATO deixou claro que o Árctico é uma prioridade e os aliados europeus estão a intensificar o seu empenho”, refere o texto.

O documento destaca ainda que o Reino da Dinamarca, incluindo a Gronelândia, integra plenamente a NATO, o que implica que a segurança da região deve ser alcançada de forma coletiva, em coordenação com todos os aliados, incluindo os Estados Unidos.

“Assim, a segurança no Árctico deve ser garantida coletivamente, em conjunto com os aliados da NATO, incluindo os Estados Unidos, através do respeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas, nomeadamente a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras”, lê-se na declaração conjunta.

Os signatários acrescentam que estes princípios são universais e que os aliados não deixarão de os defender, independentemente das pressões ou declarações provenientes de qualquer Estado membro.

Apesar do tom firme, os líderes europeus fazem questão de sublinhar que os Estados Unidos continuam a ser um parceiro essencial na segurança do Árctico, quer no quadro da NATO, quer através do acordo de defesa assinado em 1951 entre Washington e o Reino da Dinamarca.

Ainda assim, a declaração estabelece uma linha clara quanto à soberania da Gronelândia. “A Gronelândia pertence ao seu povo. Cabe apenas à Dinamarca e à Gronelândia decidir sobre as questões que dizem respeito à Dinamarca e à Gronelândia”, afirmam, rejeitando qualquer possibilidade de imposição externa sobre o futuro do território autónomo.

A posição agora tornada pública surge num contexto de crescente tensão diplomática, depois de Donald Trump e vários responsáveis da Casa Branca terem reiterado a intenção de assumir o controlo da Gronelândia, alegando razões estratégicas e de segurança nacional.

As declarações do Presidente norte-americano reacenderam receios entre aliados europeus quanto a uma possível escalada política no Árctico, levando vários governos a manifestar publicamente apoio à Dinamarca e ao direito dos gronelandeses à autodeterminação.

O texto conjunto foi assinado por alguns dos principais líderes políticos da Europa, incluindo o Presidente francês, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen.

A iniciativa pretende enviar uma mensagem clara de unidade no seio da NATO e reforçar o compromisso dos aliados europeus com a defesa da soberania, da ordem internacional baseada em regras e da estabilidade estratégica no Árctico.

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