Alemanha oferece um milhão de euros a quem tenha informações sobre ataque que deixou Berlim às escuras

A Alemanha anunciou uma recompensa de um milhão de euros por informações que conduzam à detenção de militantes da extrema-esquerda suspeitos de um ataque incendiário que provocou um apagão de grandes dimensões em Berlim, no início de janeiro.

Pedro Gonçalves
Janeiro 27, 2026
15:13

A Alemanha anunciou uma recompensa de um milhão de euros por informações que conduzam à detenção de militantes da extrema-esquerda suspeitos de um ataque incendiário que provocou um apagão de grandes dimensões em Berlim, no início de janeiro. A decisão foi anunciada esta terça-feira pelo ministro do Interior, Alexander Dobrindt, num contexto de crescente preocupação com a segurança de infraestruturas críticas.

O ataque deixou cerca de 45 mil habitações e 2.200 empresas sem eletricidade durante quase uma semana, em pleno inverno, no sudoeste da capital alemã. Segundo as autoridades, tratou-se do apagão mais prolongado registado em Berlim desde o final da II Guerra Mundial.

A polícia alemã está à procura de membros do grupo de extrema-esquerda autodenominado Vulkangruppe (Grupo Vulcão), que reivindicou a responsabilidade pelo ataque em várias declarações publicadas online. O grupo afirmou que o objetivo da ação era atingir a indústria dos combustíveis fósseis e não provocar cortes generalizados no fornecimento de energia.

Ao anunciar a recompensa, Alexander Dobrindt prometeu uma resposta firme das autoridades. “As nossas forças de segurança serão significativamente reforçadas no combate ao extremismo de esquerda”, afirmou, sublinhando que considera “apropriado salientar a gravidade da situação com uma recompensa desta dimensão”. O ministro acrescentou que a polícia irá lançar uma campanha pública para recolher informações, incluindo a distribuição de panfletos e a colocação de cartazes no metro de Berlim, de forma a divulgar a recompensa e incentivar denúncias.

De acordo com os serviços de informações internas da Alemanha, o Vulkangruppe está ativo desde 2011 e tem um historial de ataques incendiários em Berlim e nos seus arredores. O grupo foi também responsável, segundo as autoridades, por um ataque em 2024 que levou à interrupção da produção na fábrica da Tesla nos arredores da capital.

Falhas na proteção de infraestruturas críticas
O apagão, causado por um incêndio que teve como alvo um conjunto de cabos de alta tensão, expôs de forma clara vulnerabilidades na proteção das infraestruturas críticas de Berlim. O episódio ocorreu numa altura em que as autoridades alemãs manifestam crescente preocupação com possíveis atos de sabotagem, num contexto de tensões geopolíticas e de receios relacionados com a Rússia.

A resposta das autoridades locais ao apagão também foi alvo de críticas, tanto pela rapidez como pela dimensão das medidas adotadas para restabelecer o fornecimento de energia. Há vários anos que a Alemanha denuncia o que descreve como uma campanha russa de sabotagem, espionagem e desinformação destinada a desestabilizar o país, um dos principais fornecedores de apoio militar à Ucrânia e um eixo logístico central da NATO. Moscovo tem rejeitado repetidamente estas acusações.

Neste contexto, Dobrindt anunciou que a câmara baixa do parlamento alemão, o Bundestag, deverá aprovar ainda esta semana uma nova lei destinada a reforçar a proteção das infraestruturas críticas. No entanto, a proposta legislativa inicial já suscitou críticas por parte de setores da indústria energética e da comunidade empresarial, que consideram o diploma excessivamente burocrático e potencialmente ineficaz.

Alguns críticos alertam ainda que a legislação pode obrigar à divulgação excessiva de informação sobre instalações vitais, o que poderia ser explorado por atores mal-intencionados. O próprio ministro do Interior reconheceu o problema, admitindo que “já divulgamos demasiada informação pública sobre as nossas infraestruturas críticas”, sinalizando a necessidade de um equilíbrio entre transparência e segurança.

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