Alegado “cérebro” do grupo de falsos inspetores da PJ fica em prisão preventiva

O homem apontado pelas autoridades como o principal responsável pelo grupo que se fez passar por inspetores da Polícia Judiciária para realizar falsas buscas domiciliárias no norte do país encontra-se em prisão preventiva desde segunda-feira à tarde, no Estabelecimento Prisional de Braga.

Pedro Gonçalves
Janeiro 13, 2026
16:21

O homem apontado pelas autoridades como o principal responsável pelo grupo que se fez passar por inspetores da Polícia Judiciária para realizar falsas buscas domiciliárias no norte do país encontra-se em prisão preventiva desde segunda-feira à tarde, no Estabelecimento Prisional de Braga. A decisão foi tomada após o primeiro interrogatório judicial realizado no Tribunal de Guimarães, segundo informação avançada pelo Correio da Manhã.

Rui Manuel Ferreira da Rocha, de 48 anos, conhecido pela alcunha de “Cavaleiro”, é suspeito de ter coordenado um esquema que terá rendido mais de 450 mil euros em dinheiro e joias, entre julho e setembro de 2024, através de seis falsas diligências em residências particulares.

Após o último crime, ocorrido em setembro de 2024, Rui Manuel Rocha fugiu para França, onde acabou por ser detido em julho do ano passado pelas autoridades francesas, na sequência de um mandado de detenção europeu. Apesar da detenção, ficou em liberdade naquele país.

Esta segunda-feira, acompanhado por um advogado, apresentou-se voluntariamente em Portugal para prestar declarações perante o juiz de instrução criminal. Durante o interrogatório, negou qualquer envolvimento nos crimes imputados. Ainda assim, o magistrado considerou existirem fortes indícios da sua participação na preparação das falsas buscas e determinou a aplicação da medida de coação mais gravosa, enviando-o para prisão preventiva.

De acordo com a investigação, o grupo atuava munido de mandados de busca falsificados, envergando coletes com a inscrição “Polícia judiciária” e utilizando crachás semelhantes aos dos inspetores da PJ. A encenação era suficiente para convencer as vítimas de que estavam perante agentes legítimos da autoridade.

Durante as falsas buscas domiciliárias, os suspeitos apropriavam-se de elevadas quantias em dinheiro e de peças de joalharia. No total, estima-se que o grupo tenha obtido mais de 450 mil euros com este esquema criminoso.

As vítimas só se apercebiam do roubo após a saída dos falsos inspetores das habitações, quando contactavam posteriormente as autoridades policiais.

Os restantes elementos do grupo, três dos quais se encontram igualmente em prisão preventiva, começaram a ser julgados em setembro do ano passado. O tribunal decidiu separar o processo relativo a Rui Manuel Rocha, uma vez que este se encontrava fora do país à data, pelo que o seu julgamento deverá agora decorrer de forma autónoma.

A investigação foi conduzida pela Polícia Judiciária de Braga, que desmantelou o grupo em duas fases, em setembro e novembro de 2024, no âmbito de uma operação denominada “faux Javert”.

Em tribunal, várias vítimas relataram que, durante as falsas buscas, os indivíduos contactavam telefonicamente um alegado “chefe”, a quem davam conta do desenrolar das diligências. A Polícia Judiciária acredita que esse “chefe” seria Rui Manuel Rocha.

Na acusação, o Ministério Público sustenta que “Cavaleiro” acompanhava todas as operações à distância, sem nunca estar fisicamente presente nos locais, sendo responsável pela planificação e coordenação das ações criminosas levadas a cabo pelo grupo.

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