Alasca, Califórnia, Finlândia, Países Bálticos: aliado de Putin discute anexação na televisão russa

Segmento da transmissão foi partilhado na rede social ‘X’ por Anton Gerashchenko, antigo conselheiro do ministro dos Assuntos Internos da Ucrânia

Francisco Laranjeira
Março 28, 2024
15:15

Vladimir Solovyov, aliado de Putin e um dos maiores propagandistas do Kremlin, discutiu, na televisão estatal russa, a possibilidade de Moscovo conquistar os estados americanos do Alasca e da Califórnia, assim como a Finlândia e a Polónia. Considerado “a voz de Putin”, Solovyov realçou “a justiça histórica” no seu programa no canal ‘Rússia-1’.

Um segmento da transmissão foi partilhado na rede social ‘X’ por Anton Gerashchenko, antigo conselheiro do ministro dos Assuntos Internos da Ucrânia. “Os propagandistas russos querem ‘restaurar a justiça histórica’ capturando a Finlândia, a Polónia, os Estados Bálticos e o Alasca. A Sérvia aderirá voluntariamente, acreditam”, escreveu o responsável ucraniano, na legenda.

“A propósito, concordo com aqueles que dizem que a Rússia ocupa territórios injustamente”, reforçou Vladimir Kornilov, especialista da agência noticiosa ‘RIA Novosti’ e que participou no programa. “Sim, precisamos devolver muito mais terras históricas, restaurar a justiça histórica. Definitivamente…”, salientou, sendo interrompido por Solovyov. “Califórnia… Finlândia, os Estados Bálticos – é tudo nosso, é claro. Vamos ficar com o Alasca e eles próprios darão o resto. Só resta a Sérvia. Os próprios sérvios virão”, disse Solovyov.

A televisão estatal russa é palco fértil de sugestões para a Rússia tentar tomar o Alasca, que foi vendido por Moscovo em 1867 ao então presidente dos Estados Unidos, Andrew Johnson. Já a Califórnia nunca fez parte da Rússia, embora no início do século XIX a Rússia tenha estabelecido o posto avançado de Fort Ross, no que hoje é o condado de Sonoma, com colonos russos a viveram lá entre 1812 e 1841.

Recorde-se que em janeiro Vladimir Putin deu à Rússia motivos para recuperar o Alasca através de um decreto presidencial: o Kremlin assinou um decreto relativo às participações imobiliárias russas históricas no estrangeiro, dando orientações para se procurarem “bens imóveis na Federação Russa, no antigo Império Russo, na ex-URSS” para o “próprio registo de direitos e proteção legal desta propriedade”.

O Departamento de Estado dos EUA rejeitou rapidamente a especulação. “Falo por todos nós no Governo dos EUA para dizer que certamente não o vai recuperar”, garantiu o principal porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Vedant Patel, em 22 de janeiro último.

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