Agentic AI, moedas digitais e transações em tempo real: setor dos pagamentos está em remodelação, indica BCG

O estudo, que assenta no Modelo Global de Pagamentos da BCG e inclui previsões para mais de 60 economias – incluindo a portuguesa –, indica que as receitas baseadas em transações vão manter-se fortes, enquanto os ventos favoráveis da margem de depósitos enfraquecem

Executive Digest
Janeiro 13, 2026
11:45

A receita global de pagamentos deverá alcançar 2,4 biliões de dólares até 2029, mas estima-se que a taxa de crescimento anual perca ritmo e caia de 8,8% para 4% nos próximos cinco anos. A previsão é do estudo “Global Payments Report 2025: The Future is (Anything but) Stable”, realizado pela Boston Consulting Group (BCG), que identifica uma reestruturação fundamental no setor, impulsionada por novas tecnologias como a Agentic AI (sistemas de inteligência artificial que operam de forma autónoma), pagamentos em tempo real e os modelos de negócio para fintechs.

O estudo, que assenta no Modelo Global de Pagamentos da BCG e inclui previsões para mais de 60 economias – incluindo a portuguesa –, indica que as receitas baseadas em transações vão manter-se fortes, enquanto os ventos favoráveis da margem de depósitos enfraquecem.

A América Latina deverá liderar o crescimento geral de receita, com 7,9% ao ano entre 2024 e 2029, seguida do Médio Oriente e África, com 6,8%. Estima-se ainda que o crescimento da receita na Europa durante esse período se situe nos 3,5%, em linha com o da América do Norte (3,4%) e da Ásia-Pacífico (3,3%).

Portugal segue trajetória de desaceleração

Portugal seguirá a mesma trajetória de desaceleração acentuada do crescimento geral de receita, prevendo-se que esta caia para 1,8% ao ano até 2029, graças a receitas associadas a depósitos mais fracas. Contudo, as receitas com base em transações vão permanecer resilientes e dar algum ânimo até ao fim deste período, suportadas pelo crescimento eletrónico, uma preferência dos consumidores que ganhou impulso durante a pandemia. Além disso, a penetração dos pagamentos instantâneos deverá aumentar de forma consistente, com os consumidores a valorizarem cada vez mais a sua conveniência, a rapidez e a integração perfeita entre os canais digitais e móveis.

“O setor dos pagamentos está a atravessar uma transformação estrutural, num contexto de maior instabilidade e abrandamento do crescimento. Neste novo cenário, tecnologias como a inteligência artificial aplicada aos pagamentos, os pagamentos em tempo real e as moedas digitais estão a reconfigurar as cadeias de valor, a reduzir custos operacionais, a acelerar volumes transacionais e a abrir espaço para novos modelos de monetização. A liderança vai pertencer às organizações que conseguirem transformar esta inovação tecnológica em ganhos sustentáveis de eficiência, margens mais robustas e novas fontes de receita”, afirma Pedro Pereira, Managing Director & Senior Partner da BCG em Lisboa.

De acordo com o relatório, o setor dos pagamentos ao nível global está a entrar numa nova fase estrutural, marcada pela consolidação de tecnologias digitais, pela emergência de moedas digitais, como as stablecoins, e pela integração crescente da inteligência artificial em sistemas de pagamento. Estas forças estão a remodelar as cadeias de valor e a acelerar a convergência entre bancos, fintechs e grandes plataformas tecnológicas.

Entre as cinco tendências que irão moldar o futuro do setor, a BCG destaca:

· Agentic AI, que começa a influenciar decisões de consumo e a otimizar a experiência de pagamento;

· As stablecoins, que movimentaram 26 biliões de dólares em 2024 e já beneficiam de maior clareza regulatória.

· O crescimento acelerado das fintechs de pagamentos, que geraram 176 mil milhões de dólares em receitas em 2024, com um crescimento anual de 23%;

· Os pagamentos em tempo real entre contas, cujo volume global aumentou 40% em 2024 e que representam atualmente cerca de um quarto dos pagamentos digitais de retalho em todo o mundo;

· A excelência em custos enquanto alavanca de crescimento, com potencial para elevar margens entre 30% e 40%.

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