Afinal as impressões digitais nas nossas mãos não são tão únicas como se pensava, revela novo estudo

Os investigadores esperam que as descobertas possam “ajudar a priorizar pistas quando existem muitas possibilidades, ajudar a exonerar suspeitos inocentes ou até mesmo ajudar a criar pistas para casos arquivados”.

Pedro Gonçalves
Janeiro 20, 2024
20:30

Costuma dizer-se que as impressões digitais são como os flocos de neve: não há duas iguais. Os cientistas acreditavam que, ainda que mais de 100 mil milhões de seres humanos já tenham vivido na Terra, nunca houve duas impressões digitais idênticas. Mas um novo estudo científico veio apurar que este traço identitário pode afinal não ser tão distinto entre os dedos da mesma pessoa, ou até entre pessoas diferentes.

Através de uma rede neural (uma espécie de Inteligência Artificial), uma equipa de investigadores da Universidade de Columbia, nos EUA, conseguiu identificar diferentes impressões digitais pertencentes à mesma pessoa, as chamadas impressões digitais intrapessoais, com uma taxa de sucesso de até 77% para um único par de impressões.

Acreditava-se que o padrão de linhas e espirais não era duplicado noutros dedos, e que até os dedos individuais de uma determinada pessoas eram considerados diferentes uns dos outros. Mas a rede neural usada pelos investigadores veio demonstrar que afinal não é bem assim.

“Sugerimos que as semelhanças de impressões digitais intrapessoais são interessantes não apenas porque desafiam crenças antigas, mas também porque essa semelhança poderia ajudar a melhorar a capacidade de encontrar pistas para investigações, quando as impressões digitais obtidas nas cenas do crime são de dedos diferentes das impressões digitais já arquivadas”

Os investigadores esperam que as descobertas possam “ajudar a priorizar pistas quando existem muitas possibilidades, ajudar a exonerar suspeitos inocentes ou até mesmo ajudar a criar pistas para casos arquivados”.

Os cientistas usaram um banco de dados público de impressões digitais, com 60 mil registos, e quiseram verificar se os uma rede neural seria capaz de identificar as semelhanças entre as impressões intrapessoais.

A Inteligência Artificial (IA) utilizada concentrou-se noutras características que não as habitualmente utilizadas na análise de impressões digitais.

“A IA não estava a usar as ‘minúcias’, que são as ramificações e pontos finais nas cristas das impressões digitais – os padrões usados ​​na comparação tradicional de impressões digitais. Em vez disso, estava a usar outra coisa: relacionava os ângulos e curvaturas dos remoinhos e voltas no centro da impressão digital”.

Com o tempo, e inserção de dados, a rede consegui melhorar a identificação quando duas impressões digitais diferentes pertenciam à mesma pessoa.

Assim, e embora cada impressão digital da mesma mão ainda fosse única, havia semelhanças suficientes entre elas para que a IA pudesse fazer uma correspondência.

A orientação das cristas no centro da impressão digital, apurou o estudo, é semelhante para os diferentes dedos de um mesmo indivíduo.

O sistema não é ainda bom o suficiente para fins reais de identificação, mas a equipa manifesta com “99,99% de confiança” que as semelhanças encontradas nas impressões intrapessoais são genuínas, e que a IA usada pode ser mais desenvolvida de forma a etr uma taxa de sucesso ainda mais alta.

“Imaginem o quão bem isto poderá funcionará quando for treinada em milhões, em vez de milhares de impressões digitais”, indica Aniv Ray, um dos investigadores da equipa liderada por Gabe Guo, que efetuou o estudo, agora publicado na revista científica Science Advances.

As descobertas poderão também vir a ser aplicadas em telemóveis e outros dispositivos que utilizam as impressões digitais como dados biométricos, permitindo, por exemplo, desbloquear um smarthphone com qualquer um dos dedos do utilizador (e não apenas o que está registado ).

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