Adeus às portas na casa de banho: hotéis apostam em soluções abertas e hóspedes reclamam

A redução de custos explica em grande parte esta tendência

Francisco Laranjeira
Janeiro 22, 2026
21:00

Os hóspedes de hotéis estão a perder um elemento básico de privacidade: a porta da casa de banho. Depois de armários e banheiras, muitas cadeias de hotéis decidiram substituir portas sólidas por soluções mais económicas, como portas de correr estilo celeiro, divisórias de vidro, cortinas ou paredes parciais, que muitas vezes não isolam ruídos nem odores e, em alguns casos, nem escondem a vista.

Denise Milano Sprung, executiva de Long Island, descreveu a sua experiência no Calgary Airport Marriott: “Não dava para ver os detalhes, mas dava para ver todo o resto. Amo meu marido, mas não quero vê-lo usar a casa de banho.” Este desconforto ilustra a frustração de muitos viajantes que valorizam a barreira tradicional entre quarto e o WC.

Cortes de custos por trás da mudança

A redução de custos explica em grande parte esta tendência. Segundo Lisa Chervinsky, da Universidade Cornell, os hotéis de preço médio enfrentam margens estreitas e aumentos nos custos de pessoal, construção e energia, especialmente no período pós-pandemia. Para diretores financeiros, a manutenção de portas sólidas pode parecer um “poço sem fundo”: lâmpadas, maçanetas e materiais como madeira e vidro aumentam despesas.

Além disso, normas de acessibilidade, como a exigência de molduras largas para cadeiras de rodas, obrigaram hotéis a adotar soluções alternativas. Portas de correr embutidas economizam espaço, mas exigem manutenção dispendiosa; cortinas acumulam poeira; portas estilo celeiro podem fechar de forma pouco confiável.

Novas abordagens de design

Alguns hotéis, como a rede boutique The Line Hotels, têm colocado a pia e o chuveiro no quarto, enquanto o vaso sanitário fica numa caixa de vidro ou nicho, criando a sensação de um espaço maior e mais iluminado. Stefan Merriweather, diretor criativo da rede, defende que o layout melhora a ventilação e a flexibilidade, embora críticos apontem que o objetivo original de uma porta de banheiro é justamente conter odores.

Para outros hóspedes, a ausência da porta não é um problema. Jonathan Grubin, diretor executivo de uma empresa de distribuição de produtos, frequenta o CitizenM e prefere quartos funcionais, com a cama confortável, mesmo que o banheiro não tenha uma separação tradicional.

Consumidores em campanha

Nem todos aceitam esta tendência passivamente. Sadie Lowell, profissional de marketing digital, lançou a campanha “Tragam as Portas de Volta”, classificando hotéis de acordo com o nível de privacidade: desde “porta confirmada” até “privacidade zero”, sem porta ou apenas uma parede parcial. A iniciativa lista mais de 500 hotéis, incluindo algumas cadeias de luxo, que optaram por soluções minimalistas.

Lowell alerta que a privacidade não pode ser tratada como mercadoria: “As pessoas simplesmente levarão seu dinheiro para hotéis que ainda respeitam o direito fundamental de uma porta de banheiro.” A campanha reflete um debate crescente entre economia e conforto, funcionalidade e intimidade nos quartos de hotel.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.