O seguro automóvel deverá registar aumentos em 2026, com subidas estimadas entre 6% e 10%, impulsionadas pelo crescimento do número de acidentes rodoviários e pelo agravamento dos custos de reparação. As previsões são avançadas por fontes do setor segurador citadas pelo ‘ACP’.
De acordo com o diretor do ACP Seguros, Duarte Amaral, os prémios dos seguros não estão sujeitos a tabelas fixas. “Os aumentos são livres”, sublinha, explicando que, embora possam acompanhar a inflação, as seguradoras têm margem para ajustar os preços de forma autónoma.
A evolução da sinistralidade é apontada como um dos principais fatores de pressão sobre os preços. Desde 2019, com exceção dos anos afetados pela pandemia, o número de acidentes rodoviários tem vindo a aumentar de forma gradual. Em 2025, até 16 de Dezembro, registaram-se 140.118 acidentes, quase mais 4.400 do que no período homólogo.
Em paralelo, os custos médios por sinistro também estão a subir. Duarte Amaral destaca o encarecimento das peças, o prolongamento dos tempos de reparação e a crescente sofisticação dos veículos, que passam a apresentar danos mais extensos mesmo em colisões de menor impacto.
Veículos elétricos não escapam aos aumentos
O agravamento do seguro automóvel deverá abranger todos os veículos, independentemente do tipo de motorização. Contrariamente à perceção comum, os automóveis elétricos não apresentam custos de reparação mais baixos do que os veículos a combustão.
Esta realidade está relacionada, em parte, com a presença recente de várias marcas no mercado nacional, ainda sem uma rede consolidada de concessionários e oficinas especializadas, o que contribui para reparações mais demoradas e dispendiosas.
Fidelidade considera inevitável a subida dos prémios
Também o presidente executivo da Fidelidade, Rogério Campos Henriques, considera inevitáveis os aumentos do seguro automóvel em 2026. Em declarações ao ‘Jornal de Negócios’ e à ‘Antena 1’, o gestor sublinha que a frequência de sinistros em Portugal não diminuiu e que os custos médios de reparação continuam a crescer.
O responsável acrescenta que os tempos de reparação aumentaram e que, do ponto de vista do seguro, os veículos elétricos tendem a apresentar custos médios por acidente superiores aos dos automóveis com motor de combustão, devido à menor experiência técnica, às especificidades das baterias e à dificuldade no acesso a peças.
Rogério Campos Henriques admite ainda atualizações nos seguros de saúde em 2026, embora mais moderadas do que a subida de cerca de 7% registada este ano. Apesar do aumento dos custos e da maior utilização das apólices, o grupo tem procurado acomodar os preços para limitar o impacto nos clientes.














