Abaixo-assinado contra atribuição de casas a pessoas de etnia cigana gera polémica em Barcelos

O Bloco de Esquerda (BE) denunciou a iniciativa, classificando-a como um caso grave de “discriminação social e exclusão étnica”. A Câmara Municipal de Barcelos, por sua vez, rejeita qualquer envolvimento e afirma que “não alimenta boatos”.

Revista de Imprensa
Março 3, 2025
10:43

A distribuição de habitações sociais em Arcozelo, no concelho de Barcelos, gerou uma forte polémica depois de um grupo de moradores ter iniciado um abaixo-assinado contra a possível atribuição de casas a pessoas de etnia cigana. O Bloco de Esquerda (BE) denunciou a iniciativa, classificando-a como um caso grave de “discriminação social e exclusão étnica”. A Câmara Municipal de Barcelos, por sua vez, rejeita qualquer envolvimento e afirma que “não alimenta boatos”.

Segundo o Jornal de Notícias,  controvérsia começou após uma visita de técnicos do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) ao bairro conhecido como “Bairro de Chicago”, localizado no lado norte da Avenida João Duarte. A presença dos elementos do IHRU levou à circulação de um panfleto, no qual se afirmava que “as habitações desocupadas destes dois bairros […] serão entregues a pessoas de etnia cigana”. O documento apelava à recolha de assinaturas para impedir que isso acontecesse e anunciava que seria enviado ao IHRU e à Câmara Municipal de Barcelos.

O nome do presidente da Junta de Freguesia de Arcozelo, Monteiro da Silva, foi incluído no panfleto, sugerindo que a autarquia local apoiava a iniciativa. Confrontado com a situação pelo JN, o autarca confirmou que tomou conhecimento do abaixo-assinado e que compreende a posição dos moradores. “Mostraram-me o texto e não vejo nada de especial. O texto dizia que eles são os donos das casas e que não querem lá os ciganos, não vejo mal nenhum nisso”, afirmou. No entanto, garantiu que não irá assinar o documento. O presidente da Junta criticou ainda a Câmara de Barcelos, alegando que a falta de diálogo com a população contribuiu para o aumento da tensão. “Se falassem com a Junta e com os moradores, o caso não tomava estas proporções”, justificou.

O Bloco de Esquerda foi o primeiro partido a reagir publicamente, pedindo uma intervenção urgente da Câmara para travar o que considera ser um caso inaceitável de discriminação. “Se a situação já é grave pelo que consubstancia de discriminação social e exclusão étnica por parte dos promotores, ganha contornos de inaceitabilidade pela intromissão institucional quando é anunciado que a Junta de Freguesia de Arcozelo está de acordo”, alertou o partido num comunicado. O BE apelou ainda a uma resposta rápida da autarquia, alertando para o risco de a situação alimentar “rancor étnico e intolerância à integração sociocultural”.

Por sua vez, a Câmara de Barcelos desvalorizou a polémica e afirmou que desconhece “em absoluto” a existência do abaixo-assinado. Em reação, garantiu que “só tem um apartamento naquele local e que o mesmo já está ocupado”. “Em relação a esta situação, a Câmara Municipal não alimenta boatos”, concluiu.

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