A companhia aérea irlandesa Ryanair voltou a apontar o dedo ao Governo português e à ANA – Aeroportos de Portugal, responsabilizando ambos pelos atrasos “inaceitáveis” que têm afetado o aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. As longas filas de espera na fronteira, com passageiros retidos durante horas, agravaram-se desde a implementação do novo sistema europeu de controlo automatizado de fronteiras externas, o Entry/Exit System (EES), em vigor desde 12 de outubro.
Em declarações ao Diário de Notícias (DN), Jade Kirwan, diretora de comunicação da transportadora, afirmou que a situação é “inaceitável” e apelou à intervenção direta do Executivo. “Se a ANA não está disposta a fazer o que tem de ser feito em termos de pessoal para o controlo de fronteiras, então o Governo tem de intervir e garantir que está devidamente equipado. Basta decidirem abrir as e-gates permanentemente, pô-las a funcionar totalmente e contratar mais pessoal para os balcões manuais. Isto aliviaria a pressão, especialmente enquanto o novo sistema não estiver completamente implementado”, sublinhou.
A porta-voz lembrou que os passageiros “estão a sair do avião e a ter de esperar duas horas e meia, quase o mesmo tempo que durou o voo em muitos casos”, frisando que o problema não é novo. “O novo sistema só entrou em vigor há uma semana, mas os atrasos já vinham de trás. Já no verão tínhamos alertado para os problemas e nada foi feito. Querem culpar o EES, mas o grande problema é a falta de pessoal”, acusou.
O EES passou a substituir o antigo sistema de carimbos nos passaportes, registando agora eletronicamente as entradas e saídas de cidadãos extracomunitários em todos os países do espaço Schengen. Contudo, segundo Jade Kirwan, “o grande problema está a acontecer em Portugal”. A responsável comparou Lisboa a outros aeroportos europeus com volume semelhante: “Em Dublin, com 36 milhões de passageiros, o controlo demora menos de cinco minutos. Em Madrid, o tempo médio é de 3 minutos e 54 segundos. Custa-me pensar noutro lugar onde se verifique algo comparável.”
A Ryanair reuniu na semana passada com a ANA e diz aguardar “medidas e ações concretas” antes do aumento previsível do tráfego aéreo no Natal e no verão de 2026. “Precisamos que a ANA e o Governo atuem urgentemente antes que a situação piore. É imperativo antecipar os cenários com antecedência”, defendeu a porta-voz.
Para Jade Kirwan, o problema ultrapassa já a dimensão operacional e atinge a reputação do país. “O turismo em Portugal será afetado por danos reputacionais e, em última análise, esta é uma responsabilidade do Governo”, afirmou. “Esta manhã pesquisei notícias online sobre o aeroporto de Lisboa e eram todas referentes a atrasos. O mesmo acontece nas redes sociais. No final do dia, os nossos clientes estão a voar com a Ryanair e esperam um serviço decente, mas não percebem que o controlo de fronteiras não depende de nós.”
A responsável reforça que a situação está a tornar Lisboa “pouco competitiva” face a outros destinos europeus: “Se me perguntassem neste momento se quero ir passar o fim de semana a Lisboa e esperar quase três horas para sair do aeroporto, ou ir para Madrid, onde demoro menos de cinco minutos, a resposta seria óbvia. Operamos em 240 aeroportos e não vemos estes problemas noutros locais. Isto vai inevitavelmente impactar o turismo em Portugal a longo prazo”, lamentou.














