A máquina de Coca-Cola de mil milhões de dólares que transforma cada utilizador numa experiência humana

Freestyle surgiu para ultrapassar um limite antigo: enquanto as prateleiras de supermercados ofereciam apenas algumas opções, porque não dar liberdade total aos clientes?

Executive Digest
Fevereiro 1, 2026
13:00

A Coca-Cola desenvolveu uma máquina vermelha, brilhante, com um design que lembra uma mini Ferrari, oferecendo dezenas de combinações de bebidas. Mas por trás da aparência futurista, esconde-se uma das experiências de recolha de dados do consumidor mais ambiciosos da história moderna.

A Freestyle surgiu para ultrapassar um limite antigo: enquanto as prateleiras de supermercados ofereciam apenas algumas opções, porque não dar liberdade total aos clientes? Hoje, cada máquina permite mais de 100 combinações de sabores, incluindo versões excêntricas como Sprite Cereja, Coca-Cola Laranja com Baunilha ou Sprite Morango. Muitas destas combinações nasceram diretamente das escolhas e combinações dos utilizadores.

Um investimento bilionário que já se paga

Cada unidade custa cerca de mil milhões de dólares à Coca-Cola, mas o investimento compensa. A empresa poupa cerca de 160 milhões de dólares por ano, graças à gestão automática do stock e à reposição eficiente dos cartuchos de xarope. Cada máquina tem 30 cartuchos que combinam água carbonatada com sabores, medidos gota a gota, para que cada bebida saia perfeita.

Segundo a Coca-Cola, a Freestyle oferece “liberdade para explorar, servir e saborear a bebida perfeita”. Mas essa liberdade vem com um pequeno detalhe: monitorização constante. Cada máquina está ligada a um software chamado SAP, o “cérebro da empresa”, que recolhe dados em tempo real sobre o que acontece em cada operação. São mais de 50.000 máquinas a registar diariamente quais bebidas são escolhidas, em que horários e quanto xarope ainda resta.

Entre sabores e experiências

A Freestyle não é apenas um dispositivo para servir bebidas: é uma gigantesca experiência humana. Como apontou a YouTuber Fern, as máquinas analisam o consumo e, em alguns casos, têm câmaras para reconhecimento facial. Cada interação ajuda a Coca-Cola a mapear hábitos, preferências e padrões de consumo, transformando cada cliente num ponto de recolha de dados.

O design também não é casual. As linhas cromadas e esculpidas foram concebidas pela Pininfarina, a mesma empresa de design por trás das Ferrari, tornando a máquina visualmente apelativa e sofisticada, enquanto por dentro o software trabalha para gerar dados e poupanças milionárias.

No fim, a Coca-Cola Freestyle é muito mais do que uma máquina de bebidas: é um laboratório móvel, um sistema de gestão de stock inteligente e um estudo social sobre como escolhemos o que beber. Cada gole que toma contribui para um mapa global de preferências — e tudo isso enquanto decide a sua bebida favorita numa simples tela touch.

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