“A liderança é o processo lógico e fundamental para se gerir o negócio e a empresa”, diz o Administrador da Bosch Ovar

A Executive Digest falou com António Pereira, Administrador da Bosch Ovar, por forma a conhecer o trabalho desenvolvido por esta unidade, a sua importância para o grupo Bosch, e ainda conhecer as práticas aplicadas para promover uma cultura de liderança.

André Manuel Mendes
Dezembro 20, 2022
7:40

A realidade empresarial atual coloca diversos desafios às empresas para que consigam acompanhar a rápida evolução do mercado. As empresas necessitam de ser ágeis, apostar na investigação e desenvolvimento, e contar com uma liderança focada nas pessoas.

A Executive Digest falou com António Pereira, Administrador da Bosch Ovar, por forma a conhecer o trabalho desenvolvido por esta unidade, a sua importância para o grupo Bosch, e ainda conhecer as práticas aplicadas para promover uma cultura de liderança.

 

Qual o trabalho desenvolvido na Bosch em Ovar e qual a importância desta unidade para o grupo Bosch?

A partir de Ovar, a Bosch desenvolve e produz algumas das mais inovadoras tecnologias eletrónicas de segurança, com impacto global. Dedicamo-nos à produção de eletrónica de elevada performance como câmaras profissionais de vigilância, sistemas de comunicação crítica, sistemas para conferências e public address, sistemas de deteção de incêndio e intrusão, eletrónica para corta-relvas inteligentes, controladores de caldeiras, bombas de calor, eletrodomésticos, controlo de eBikes, entre outros. Temos vindo a crescer de forma sustentada, tanto a nível de portefólio de produtos como também no número de colaboradores. Hoje temos mais de 800 colaboradores nas áreas de produção, mas também nas áreas de I&D têm sido realizados constantes investimentos em infraestruturas, recursos humanos e parcerias com universidades. Cerca de 250 engenheiros fazem parte do nosso centro de investigação e desenvolvimento, onde predominam as soluções de Inteligência Artificial aplicada à Internet das Coisas (AIoT), e temos ainda uma equipa de aproximadamente 80 colaboradores para serviços partilhados para o Grupo Bosch. Temos vindo a assumir um papel cada vez mais preponderante enquanto fábrica de videovigilância, sistemas de comunicação e deteção de incêndios dentro do Grupo Bosch, e o facto de exportarmos 95% da nossa produção para diversos países europeus, para os Estados Unidos, África e Ásia (com exceção da China), reforça isso mesmo.

 

A Bosch tem promovido em Ovar a implementação de práticas que promovam uma cultura de liderança. Em que consistem estas práticas e qual a importância de uma boa liderança numa empresa?

Faz parte do nosso ADN a promoção de uma cultura de proximidade e cuidado com os nossos colaboradores. Costumamos dizer que somos “Families withIN a Family”. Os resultados deste processo de transformação e adaptação de toda a cadeia de liderança foram reconhecidos recentemente pela European Foundation for Quality Management, em 2019 e 2022, nomeadamente com o EFQM Global Award na categoria de “Inspirational Leadership Culture”, uma distinção que endossa a estratégia e gestão de liderança da empresa no que diz respeito à sua cultura organizacional e implementação de processos de melhoria de qualidade nas equipas.

Na Bosch, colocamos as Pessoas no centro da organização, definimos um propósito que assenta no propósito “Together creating inspiring solutions for a safe and enjoyable life”, e fazemos a revisão da nossa visão a cada quatro anos, por forma a definirmos o rumo da nossa equipa a médio e longo prazo. Além disso, usamos um conjunto de ferramentas como o feedback 360º, comunicação frequente e próxima, eventos informais internos e externos, programas de suporte ao indivíduo e às equipas, vivência dos valores da empresa e uma política de porta aberta que promove a proximidade. Acreditamos que esta é a melhor forma de acedermos às pessoas, de as ouvir e entender as suas necessidades e expetativas. Se entendermos que as pessoas são o maior ativo da nossa organização, a liderança é o processo lógico e fundamental para se gerir o negócio e a empresa. É difícil ter sucesso de longo prazo sem pessoas envolvidas, participativas e felizes. Acima de tudo, queremos que as nossas pessoas se sintam felizes, essa é sem margem para dúvida uma das prioridades da Bosch, e por isso apostamos na implementação de medidas e políticas que aumentem o seu bem-estar e motivação.

 

O novo paradigma e a evolução do mundo empresarial exigem um novo tipo de liderança? O que deve um líder ter para potenciar o crescimento de uma empresa?

Acima de tudo, é fundamental que seja uma pessoa íntegra, próxima das Pessoas e comprometida com os valores e com a visão da empresa. É claro que o nível de expertise, de conhecimento (perceber do negócio, do assunto) é também fundamental para fazer as perguntas certas, validar as respostas, e assim desenvolver o indivíduo e as equipas. A nível mais lato, importa definir claramente junto das equipas a razão de existirem e os seus objetivos, e ser o maior crente, o mais resiliente e o grande promotor da visão que deve ser partilhada por todos. Por fim, mas não menos importante, o líder de hoje e do amanhã tem de ter a capacidade de adaptação, de estar preparado para responder aos desafios que possam surgir. Deve ter as chamadas soft skills e hard skills que lhe permitam adaptar também a organização, e sobretudo deve ter a capacidade e a competência para promover e gerir a inevitável e necessária mudança.

 

As soluções criadas pela Bosch em Ovar podem alterar o paradigma tecnológico das cidades e da sociedade. De que forma podem estas ter impacto no futuro?

Por nós sozinhos não, jamais. Seria irrealista pensar ou tentar fazer assim. O mundo é demasiado complexo para qualquer organização querer criar soluções de impacto global e ter sucesso. Para isso acontecer o caminho passa por fazer alianças, trabalhar em parceria com outras organizações, e é isso que fazemos na Bosch em Ovar. Os nossos programas de inovação e I&D de soluções tecnológicas são o fruto do trabalho desenvolvido em conjunto com outros centros de I&D da Bosch, com Universidades, empresas, fornecedores, entre outras entidades. E quando olhamos para tudo aquilo que temos vindo a fazer, e para as soluções inovadoras desenvolvidas, aí sim podemos afirmar que vão no sentido de melhorar a vida das pessoas e contribuir para uma sociedade melhor, para dar respostas àquela que é a razão de existir da Bosch – Tecnologia para a Vida.

 

Qual a importância da I&D para a Bosch Ovar e quais os resultados que retiram?

A I&D é uma área preponderante para a Bosch em Portugal, tanto para a unidade de Ovar, como para Braga ou para Aveiro. As áreas de I&D tem sido uma forte aposta da Bosch em Portugal que nos tem permitido continuar a crescer e a investir tanto em infraestruturas como em números de colaboradores, o reflexo disso é crescimento económico para o país e criação de mais postos de trabalho. No caso concreto da Bosch em Ovar, em 2016 tínhamos 13 colaboradores na área de I&D, e hoje já ultrapassámos os 250. Esta aposta reflete o facto de acreditarmos que a inovação é fundamental para ancorar a nossa organização, torná-la mais robusta e orientada para o futuro, e reforçarmos a passagem do tradicional “made in Ovar” para o “invented in Ovar – INOVAR”. Isto permite-nos criar muito mais valor para os nossos clientes e parceiros, oferecendo soluções completas – end to end.

Nos últimos anos, sobretudo a partir de 2016, definimos um caminho que nos permitir passar de um conceito de Fábrica para uma Organização capaz de entregar soluções incluindo serviços, o que alarga o nosso potencial de negócio e de crescimento. A integração de equipas de investigação e desenvolvimento em Ovar além de nos permitir alargar o portefólio de produtos e serviços, deu-nos a mais-valia de pela criatividade e inovação, agregarmos mais valor para as nossas Pessoas e para o País.

 

Quais as perspetivas para 2023, não só para a empresa, mas como para todo o setor?

As perspetivas da unidade de Ovar para 2023 são de crescimento, o que é muito positivo atendendo ao panorama económico atual. Ainda assim, estamos a tomar medidas para cenários de crise, pois o curto/médio prazo é muito incerto, e queremos estar preparados para responder da melhor forma e com o menor impacto. Pela redução da eletrónica de consumo, e nomeadamente dos telemóveis, e a indústria automóvel em crise (tipicamente muito afetada em ciclos económicos negativos), é expectável um decréscimo na pressão de preços e disponibilidade de algumas matérias-primas, sobretudo dos semicondutores. Ao nível de projetos, percebe-se um abrandamento nas encomendas, e contenção no investimento, o que afeta negativamente o setor em que operamos. Sabemos da imprevisibilidade em que vivemos e estamos cientes de que isso poderá ter o seu impacto na estratégia e nos resultados da empresa. Ainda assim, estamos confiantes num ano positivo e contamos com a dedicação das nossas pessoas que sempre estiveram à altura de responder aos desafios nos tempos mais difíceis.

 

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