A idade surpreendente em que o cérebro está no seu melhor, de acordo com os cientistas

Investigadores da Universidade da Austrália Ocidental analisaram 16 características cognitivas e de personalidade e descobriram que, nesta faixa etária, o desempenho mental global é superior ao de qualquer outro período da vida adulta

Francisco Laranjeira
Outubro 25, 2025
16:30

Durante décadas, acreditou-se que o desempenho mental declinava progressivamente com a idade. No entanto, um novo estudo australiano veio desafiar essa ideia, ao concluir que o funcionamento geral do cérebro atinge o pico entre os 55 e os 60 anos.

Segundo os britânicos do ‘Daily Mail’, investigadores da Universidade da Austrália Ocidental analisaram 16 características cognitivas e de personalidade e descobriram que, nesta faixa etária, o desempenho mental global é superior ao de qualquer outro período da vida adulta.

Pessoas entre os 55 e os 60 anos demonstram maior capacidade para resolver problemas complexos e desempenhar funções de liderança exigentes. O autor do estudo, Gilles Gignac, professor de psicologia, sublinha que a meia-idade “não deve ser vista como uma contagem decrescente, mas como um pico de funcionamento psicológico”.

O estudo indica que, apesar de as capacidades físicas tenderem a atingir o máximo entre os 20 e os 30 anos, as competências cognitivas e emocionais continuam a desenvolver-se muito depois disso. O raciocínio moral, por exemplo, pode alcançar o auge após os 65 anos, enquanto a estabilidade emocional tende a manter-se em ascensão até aos 75.

Traços que atingem o pico mais tarde na vida

A investigação revelou que diferentes capacidades atingem o máximo em idades distintas. A memória, a velocidade de processamento e o raciocínio têm o seu ponto alto na juventude, mas características como o conhecimento, a conscienciosidade e a empatia amadurecem com o tempo.

De forma global, o estudo mostra que o funcionamento mental começa a diminuir de forma mais evidente apenas depois dos 75 anos, o que sugere que as reduções cognitivas associadas à terceira idade ocorrem mais tarde do que se pensava.

Inteligência fluída e inteligência cristalizada

Os investigadores distinguem dois tipos de inteligência: a fluída, associada à rapidez de raciocínio e à capacidade de resolver problemas, e a cristalizada, ligada à experiência e ao conhecimento acumulado. A primeira tende a atingir o pico na juventude, enquanto a segunda continua a crescer com a idade.

O professor Gignac explicou que, quando se olha para além da “capacidade de processamento bruto”, surge um retrato diferente do envelhecimento: a meia-idade pode representar o verdadeiro ponto alto da preparação psicológica para papéis complexos e de grande responsabilidade.

As conclusões, publicadas na revista ‘Intelligence’, ajudam a explicar por que razão muitos cargos de chefia e decisão são frequentemente ocupados por pessoas na casa dos 50 ou 60 anos. Os investigadores defendem que avaliações profissionais deveriam focar-se nas competências reais e não em suposições baseadas na idade.

Apesar disso, o estudo reconhece que os trabalhadores mais velhos continuam a enfrentar dificuldades em regressar ao mercado laboral após perderem o emprego, em parte devido à perceção de que estarão próximos da reforma.

Um novo olhar sobre o envelhecimento cerebral

Outras investigações citadas pelo ‘Daily Mail’ mostraram que o cérebro passa por três “picos” de envelhecimento — aos 57, 70 e 78 anos —, relacionados com mudanças nos níveis de proteínas ligadas ao envelhecimento cerebral. Estas descobertas sugerem que certas idades são cruciais para manter o cérebro saudável por mais tempo.

No conjunto, as conclusões australianas desafiam a ideia de que envelhecer é sinónimo de declínio. Pelo contrário, reforçam que a meia-idade pode ser um período de excelência cognitiva e emocional, onde a experiência e a maturidade trabalham em conjunto para revelar o melhor do cérebro humano.

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