Quatro acusados no processo BES/GES suspensos temporariamente pelo Novo Banco

A suspensão, que deverá ser de três semanas, visa permitir ao banco fazer uma análise sobre os fundamentos da acusação

Executive Digest

O Novo Banco suspendeu temporariamente quatro trabalhadores que estão acusados pela investigação do Ministério Público no processo BES/GES (queda do Grupo Espírito Santo), avança o ‘Expresso’.

A suspensão, que deverá ser de três semanas, visa permitir ao banco fazer uma análise sobre os fundamentos da acusação e decidir se os quadros são adequados para as funções que desempenham, ou seja, decidirá então se os visados vão continuar a trabalhar no banco.



O ‘Expresso’ apurou ainda que a decisão de suspensão temporária deverá ter sido comunicada ontem, quarta-feira, na sequência da acusação do processo Universo Espírito Santo.

Na acusação do Ministério Público (MP) pode ler-se que o “Ministério Público do Departamento Central de Investigação e Ação Penal deduziu acusação contra 25 arguidos, 18 pessoas singulares e 7 pessoas coletivas, nacionais e estrangeiras, no âmbito do processo principal do designado ‘Universo Espírito Santo”.

Além do ex-presidente do banco Ricardo Salgado e de membros da família Espírito Santo, foram ainda acusados Amilcar Morais Pires, Isabel Almeida e Francisco Machado da Cruz. No total, o MP acusou  18 pessoas e 7 sociedades no primeiro processo-crime nascido do universo Banco Espírito Santo, envolvendo ainda administradores, diretores e funcionários ligados ao DFME, gestores da sociedade suíça Eurofin e João Alexandre, do BES Madeira.

“Foi deduzida acusação pelo crime de associação criminosa (relativamente a 12 pessoas singulares e 5 pessoas coletivas) e pelos crimes de corrupção ativa e passiva no setor privado, de falsificação de documentos, de infidelidade, de manipulação de mercado, de branqueamento e de burla qualificada contra direitos patrimoniais de pessoas singulares e coletivas”, reforça a nota da PGR.

Recorde-se que o inquérito teve origem em notícia divulgada a 3 de agosto de 2014 sobre a medida de resolução do, então, BES e visava o apuramento de um conjunto de alegadas perdas sofridas por clientes das unidades bancárias.

Seguiu-se a notícia da resolução e liquidação de inúmeras entidades pertencentes ao então Grupo, no Luxemburgo, Suíça, Dubai e Panamá, a par da apresentação à insolvência de várias empresas em Portugal.

“Com base neste conjunto de conhecimentos, o inquérito teve por objeto a investigação de dados patrimoniais de um conjunto de empresas do Grupo em questão, incluindo unidades com licenças públicas para o exercício de atividade bancária e de intermediação financeira”, detalha ainda a PGR.

A PGR dá ainda nota de que o processo principal agrega 242 inquéritos que foram sendo apensados, abrangendo queixas deduzidas por mais de 300 pessoas, singulares e coletivas, residentes em Portugal e no estrangeiro.

Foram acionadas medidas de garantia patrimonial por via de arrestos e apreensões.

A investigação levada a cabo e que termina com o despacho de acusação conhecido hoje, dia 14 de julho, “apurou um valor superior a onze mil e oitocentos milhões de euros, em consequência dos factos indiciados, valor que integra o produto de crimes e prejuízos com eles relacionados”.

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