A maior fábrica de automóveis do Reino Unido, a Nissan, tem conseguido resistir à crise causada pela pandemia do novo coronavírus, bem como a uma grande reestruturação corporativa, contudo, o Brexit pode ser o golpe fatal para a permanência da empresa no país, que corre risco de não aguentar, avança a ‘CNN’.
A Nissan alertou para o facto de que a sua enorme fábrica, localizada em Sunderland, no Reino Unido, não vai conseguir subsistir, caso o país não chegue a um novo acordo com a União Europeia (UE), no que diz respeito às tarifas do comércio de automóveis.
«Se não estamos sequer a receber as tarifas actuais, mesmo não sendo esta a nossa intenção, o negócio não será sustentável», disse à BBC o director operacional da Nissan, Ashwani Gupta. «É isto que toda a gente deve entender», acrescentou o responsável.
A fábrica de Sunderland emprega cerca de seis mil pessoas e a sua cadeia geral suporta outros 27 mil postos de trabalho, de acordo com a Nissan. A fábrica em questão produziu 442 mil carros por ano em 2018.
O seu futuro tem sido objecto de intensa especulação desde o inicio da votação do Brexit, em 2016. A adesão à UE permitiu que os veículos produzidos no Reino Unido fossem exportados para todo o bloco sem tarifas adicionais, um benefício que o país pode perder, pois se não conseguir um acordo os veículos fabricados em Sunderland vão ser sujeitos a tarifas de 10% no mercado da UE.
A ameaça de novas barreiras comerciais forçou a Nissan a agir. No ano passado, a empresa abandonou os planos de construção do seu novo SUV X-Trail na fábrica britânica, dizendo que a incerteza sobre o futuro do país no Brexit era parcialmente responsável pela situação.
O Reino Unido saiu da União Europeia em Janeiro, contudo o período de transição prolonga-se até ao final do ano, ainda que as negociações não tenham apresentado resultados significativos até ao momento.
De recordar que a Nissan anunciou recentemente o encerramento da sua fábrica em Barcelona, em Espanha, tal como a ‘Executive Digest’ avançou na altura.
A empresa comunicou a notícia aos três mil trabalhadores afectados, bem como ao Ministério da Indústria, que também recebeu uma notificação sobre a decisão de encerramento. Para além disso, os sindicatos confirmaram o regresso de Frank Torres ao comando da Nissan, para liderar o processo de encerramento da Zona Franca de Barcelona.











