Coronavírus pode empurrar 31 milhões de mulheres para o desemprego

Existem 220 milhões de mulheres a trabalhar em “setores vulneráveis”, sendo que, no total, existem 44 milhões de trabalhadores em risco de perder o emprego por causa da pandemia.

Sónia Bexiga

O PIB global pode perder até 1 bilião de dólares se 31 milhões de mulheres, o número que as previsões apontam, perderem os seus empregos durante a pandemia do coronavírus, alerta o Citi Group, citado pelo ‘Market Insider’.

Atualmente, segundo os analistas do Citi, existem 220 milhões de mulheres a trabalhar em “setores vulneráveis”, sendo que, no total, existem 44 milhões de trabalhadores em risco de perder o emprego por causa da pandemia, entre os 31 milhões são mulheres e os restantes 13 milhões são homens.



A análise destaca ainda como as mulheres, provavelmente, estão mais expostas aos efeitos incapacitantes da pandemia, detalhando que 31 milhões de perdas de empregos femininos em seis setores podem representar uma perda real do PIB global de até 1 bilião de dólares.

Este número não inclui a China, o que significa que o número real, incluindo a segunda maior economia do mundo, provavelmente seria muito maior. O PIB global foi estimado em 80,27 biliões de dólares em 2017, de acordo com o World Factbook da CIA.

“A maior vulnerabilidade das mulheres na perda de emprego deve-se à segmentação de trabalhadoras em setores que são os mais afetados negativamente pelas interrupções do coronavírus”, explicam as economistas do Citi, Dana Peterson e Catherone Mann, acrescentando que as mulheres são mais vulneráveis do que os homens devido à alta participação em setores como hotelaria, restaurantes e serviços de saúde, para citar apenas alguns.

A OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico já havia alertado em abril passado, que no contexto da crise da covid-19, “o medo é que as diferenças de emprego entre géneros deixem as mulheres mais vulneráveis ​​do que os homens à perda de emprego; o mercado de trabalho deixa-as mais expostas, sendo mais fácil demitir “.

Mas nem tudo é negativo. Os analistas do Citi observam – citando um relatório da Bloomberg – que muitas políticas de emprego a favor das mulheres que foram instituídas pré-pandemia podem ser expandidas no mundo pós-coronavírus.

“Muitas das políticas que promoveram a participação da força de trabalho feminina antes do coronavírus são ainda mais adequadas em um mundo pós-pandemia”, concluem os analistas.

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