Embora não haja ainda uma data concreta para o início do próximo ano lectivo, «temos que nos preparar para em Setembro, ou não em Setembro, mas em Outubro, ou Novembro, termos o que os ingleses designam por be learning», isto é, «uma conjugação entre ensino à distância e presencial», alertou o Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, numa entrevista conjunta à rádio “Renascença” e ao jornal “Público”.
Questionado sobre a necessidade de mais professores, o ministro recua aos anos 60, afirmando que «tínhamos 215 mil, 220 mil pessoas a entrar no 1.º ano da primária e agora temos 87 mil, 89 mil a entrar no 1.º ano do 1.º ciclo». «Mas houve sistematicamente, até no XIX Governo Constitucional [Passos Coelho], uma clara opção pela diminuição do número de professores nas escolas. Conseguimos contrariar essa opção. E em nenhum momento diminuiremos o esforço», prometeu.
«Se no próximo ano precisarmos de um corpo docente robusto ele existirá, como existiu ao longo dos últimos quatro anos», reafirmou, sem precisar se serão «mais dez ou vinte professores».
Para o ministro da tutela, um dos «pilares» fundamentais no regresso às aulas será a «recuperação das aprendizagens». Admite, no entanto, que «vamos estar condicionados pela nossa capacidade de produzir uma vacina, pelas respostas farmacológicas e pela reacção do vírus». Daí que, tenhamos de «estar mais preparados para um segundo surto do que estávamos».
Tiago Brandão Rodrigues é peremptório: «Temos de construir vários cenários», um dos quais «em que ao vírus está aí mas não tem uma penetração na sociedade que nos obrigue a fazer o que fizemos nesta onda», por exemplo.
Confrontado com a falta de computadores e acesso à Internet entre alguns alunos, Tiago Brandão Rodrigues admitiu: «Fomos ultrapassados pela realidade dos dias». «Quando fazíamos a recolha do número de alunos que não tinham conectividade e máquinas víamos as autarquias a trabalhar e muitas escolas (foram adquiridas muitas máquinas com fundos comunitários nos últimos três anos para as escolas) a trabalhar e muitas dessas máquinas estiveram e estão na posse desses alunos», explicou, frisando que falou-se que dos cerca de 1,2 milhões de alunos, 50 mil não teriam acesso a computador ou meios de acesso, mas «o que acontece é que esse número foi sendo reduzido».
Sobre a possibilidade de vir a existir um novo programa Magalhães, o ministro da Educação lembra que nunca referiu esse programa. «O que está a ser feito é um programa para que as escolas possam estar dotadas de recursos para que os nossos alunos possam ter conectividade através do ensino à distância», adiantou, sem esclarecer se os meios serão para as escolas ou para os alunos.
Na ocasião, Brandão Rodrigues revelou também que a Inspeção-Geral da Educação vai auditar as avaliações dos alunos para travar a inflação das notas. O ministro da Educação assegurou que existirão processos disciplinares sempre que se justifique.
«As notas do 1.º e do 2.º período serão analisadas para ver como comparam com os resultados finais. Haverá auditorias aos critérios de avaliação. A Inspeção-Geral da Educação terá de mobilizar mais inspectores para esta tarefa. É que nesta altura o problema da inflação artificial de notas, que já existia em algumas escolas, pode ter consequências ainda mais graves na equidade do concurso de acesso ao superior», referiu.
Por outro lado, serão também auditados «registos claros de avaliação dos 1.º e 2.º períodos de cada um dos alunos para entendermos exactamente» o que se passa. «Esta análise vai levar necessariamente a acções disciplinares ou a recomendações, se for necessário. O mais importante, é que tudo isto tenha um efeito regulador, também de reflexão para o sistema, mas acima tudo que seja dissuasor», justificou.
Recorde-se que as escolas estão encerradas desde 16 de Março, quando o Governo decidiu suspender todas as actividades lectivas presenciais, e os alunos trocaram a sala de aula por um espaço na sua casa e passaram a ter aulas online e a receber os trabalhos por e-mail ou pelo correio. O terceiro período arrancou a 14 de Abril e a telescola a 20 de Abril. Já os alunos do 11.º e 12.º anos regressaram esta segunda-feira, dia 18 de Maio, às aulas.
As emissões diárias são transmitidas na RTP Memória, acessível por cabo ou satélite e por Televisão Digital Terrestre nas seguintes posições: TDT – posição 7, MEO – posição 100, NOS – posição 18, Vodafone – posição 17 e Nowo – posição 13.
Há actividades lectivas todos os dias úteis da semana, das nove horas da manhã até às 17:50 horas. Cada aula tem a duração de 30 minutos e vão ser dadas a alunos de dois anos em conjunto (1.º e 2.º), (3.º e 4.º), (5.º e.6.º), (7.º e 8.º) e 9.º ano.
A emissão de cada dia dos módulos individualizados está disponível online e é ainda disponibilizada uma aplicação móvel com todos os conteúdos.
O #EstudoEmCasa também está no YouTube, através de cinco novos canais. Há aulas do pré-escolar ao ensino secundário.
A RTP 2, por sua vez, transmite conteúdos para crianças do pré-escolar, entre os três e os seis anos.
Portugal, recorde-se, regista já 1.263 mortes associadas à Covid-19 e um total de 29.660 infectados, de acordo com o mais recente boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.
O país entrou no dia 3 de Maio em situação de calamidade devido à pandemia de Covid-19, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de Março. Esta nova fase prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância activa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.
A nível global, segundo a Universidade de John Hopkins, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 328 mil mortos e infectou cinco milhões de pessoas em 196 países e territórios.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
*Notícia actualizada às 10:40







