Ataque fecha oleoduto estratégico saudita: reservas podem durar apenas cinco a sete dias, com exportações para a Europa em risco

A localização de Yanbu permite à Arábia Saudita abastecer mercados europeus e asiáticos a partir do Mar Vermelho.

Executive Digest

A Arábia Saudita está a recorrer ao petróleo armazenado para manter as exportações depois de ataques com drones terem obrigado a encerrar o oleoduto Leste-Oeste, uma infraestrutura estratégica que permite transportar crude até ao Mar Vermelho sem atravessar o Estreito de Ormuz. Se a paralisação se prolongar, as entregas à Europa e à Ásia poderão ser afetadas.

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Segundo a Euronews, o Ministério da Energia saudita anunciou na sexta-feira o encerramento preventivo do oleoduto, depois de a infraestrutura ter sido atacada na quinta-feira nas regiões de Riade e Medina.

As equipas técnicas e de emergência estão a trabalhar na segurança da infraestrutura e a avaliar as suas condições. As autoridades sauditas não anunciaram, contudo, uma data para a retoma do bombeamento nem revelaram a extensão total dos danos.

Autoridades da Arábia Saudita e do Iraque afirmaram que o ataque com drones teve origem em território iraquiano.

Reservas em Yanbu poderão chegar apenas para cinco a sete dias

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A duração da interrupção será determinante para perceber o impacto no mercado petrolífero e nas exportações sauditas.

Compradores de petróleo saudita e operadores citados em informações publicadas no domingo estimaram que uma paralisação prolongada poderá colocar em risco cerca de quatro milhões de barris por dia, o equivalente a aproximadamente 4% da oferta mundial de petróleo.

As mesmas estimativas apontam para que o petróleo atualmente armazenado no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, seja suficiente para manter as exportações durante cinco a sete dias.

As autoridades sauditas não confirmaram nenhuma destas estimativas.

O impacto efetivo nas entregas dependerá, assim, da rapidez com que o bombeamento seja retomado e da quantidade de petróleo armazenado que esteja disponível.

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Os mercados já reagiram à instabilidade. De acordo com a Euronews, os futuros do Brent subiram cerca de 3% nas primeiras negociações desta segunda-feira, depois de novos ataques contra instalações energéticas e transportes marítimos no Médio Oriente.

Oleoduto permite à Arábia Saudita contornar o Estreito de Ormuz

Com aproximadamente 1.200 quilómetros, o oleoduto Leste-Oeste transporta petróleo desde o leste da Arábia Saudita até Yanbu, na costa ocidental.

A infraestrutura ganhou particular importância porque permite que o crude saudita seja exportado através do Mar Vermelho sem que os petroleiros tenham de atravessar o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas mundiais.

A Aramco revelou em maio que tinha aumentado o bombeamento através deste oleoduto até à capacidade máxima de sete milhões de barris por dia durante o primeiro trimestre, contribuindo para manter as exportações num período em que a navegação através de Ormuz estava condicionada.

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Isso não significa, contudo, que o encerramento retire imediatamente sete milhões de barris diários ao mercado mundial. O oleoduto também abastece refinarias localizadas na costa ocidental saudita e a sua capacidade total não corresponde ao volume efetivamente exportado.

Além disso, os petroleiros podem continuar a carregar crude que já se encontra armazenado junto dos terminais de exportação. O problema surgirá se essas reservas forem consumidas sem que o oleoduto volte entretanto a transportar petróleo para Yanbu.

Europa pode receber petróleo através do Mar Vermelho e Suez

A localização de Yanbu permite à Arábia Saudita abastecer mercados europeus e asiáticos a partir do Mar Vermelho.

Os petroleiros destinados à Europa podem navegar para norte, atravessar o Canal do Suez e seguir para o Mediterrâneo. Existe ainda a possibilidade de utilização do oleoduto SUMED, no Egito, que transporta petróleo entre as costas do Mar Vermelho e do Mediterrâneo.

A situação é mais complexa para as exportações destinadas à Ásia. A rota marítima direta segue para sul através de Bab el-Mandeb, a passagem estreita entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, antes de chegar ao oceano Índico.

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Esta rota enfrenta, contudo, outra ameaça. Os Houthis do Iémen tomaram a ilha de Perim, localizada na passagem, e a costa iemenita do Mar Vermelho, assumindo efetivamente o controlo do estreito.

Os petroleiros destinados à Ásia poderiam seguir em sentido contrário, navegando para norte através do Suez e contornando posteriormente África, mas a viagem seria consideravelmente mais longa.

Alterar a rota dos navios também não resolve o problema central criado pelo encerramento do oleoduto: fazer chegar novo petróleo a Yanbu para substituir as reservas que estão a ser utilizadas.

Exportações de petróleo do Golfo já caíram para quase metade

A interrupção ocorre num momento em que as reservas e os fluxos petrolíferos internacionais já se encontram sob pressão.

A Agência Internacional de Energia indicou no relatório de setembro sobre o mercado petrolífero que as reservas de petróleo armazenadas a nível mundial diminuíram 507 milhões de barris desde fevereiro. Só em agosto, a redução foi de 95 milhões de barris.

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A agência estimou ainda que as exportações de petróleo do Golfo se situaram em cerca de 13 milhões de barris por dia em agosto, praticamente metade dos níveis anteriores à guerra.

As perturbações no abastecimento já estão também a refletir-se nos combustíveis. A Agência Internacional de Energia registou fortes aumentos dos preços do gasóleo na Europa e na Ásia, à medida que as interrupções reduziram a disponibilidade de produtos petrolíferos.

Sem uma data anunciada para a reabertura do oleoduto saudita, a capacidade de manter as exportações para a Europa e a Ásia dependerá agora da duração da paralisação e da quantidade de petróleo que a Arábia Saudita ainda consiga retirar das reservas armazenadas em Yanbu.

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