Os números negros das estradas portuguesas: 29 mil acidentes, 44 mortos e 5 mil excessos de álcool em apenas seis meses

Dados são da Polícia de Segurança Pública (PSP) e dizem respeito ao primeiro semestre de 2026, revelando ainda que quase três mil condutores foram detidos por condução em estado de embriaguez

Francisco Laranjeira

Os números negros das estradas portuguesas ajudam a perceber a dimensão da sinistralidade e dos comportamentos de risco que continuam a marcar o país: 29.278 acidentes, 44 mortos, 9.095 feridos e mais de cinco mil excessos de álcool ao volante em apenas seis meses.

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Os dados são da Polícia de Segurança Pública (PSP) e dizem respeito ao primeiro semestre de 2026, revelando ainda que quase três mil condutores foram detidos por condução em estado de embriaguez.

Entre 1 de janeiro e 30 de junho, a PSP realizou 10.318 operações de prevenção e fiscalização rodoviária, nas quais foram fiscalizados 346.345 condutores e realizados 100.699 testes de despistagem de álcool.

No total, foram detetados 5.048 excessos de álcool no exercício da condução, o equivalente a uma média de cerca de 28 casos por dia.

Destes, 2.981 resultaram em detenções por condução de veículo em estado de embriaguez, enquanto outros 2.067 corresponderam a infrações contraordenacionais por condução sob influência do álcool.

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Mais de 111 mil contraordenações e 6.237 crimes rodoviários

Os números da fiscalização vão bastante além do consumo de álcool. Durante os primeiros seis meses do ano, a PSP detetou um total de 111.480 contraordenações rodoviárias e 6.237 crimes rodoviários.

A força de segurança sublinha que tem concentrado especial atenção nas infrações e nos comportamentos que potenciam a sinistralidade, alertando particularmente para os riscos associados à combinação entre álcool e condução.

Segundo recorda a PSP, com uma taxa de álcool no sangue de 0,5 g/l, o risco de sofrer um acidente grave ou mortal duplica.

O álcool pode ainda estreitar o campo visual, originando a denominada “visão em túnel”, atrasar a capacidade de decisão e reação e provocar descoordenação dos movimentos. Estados de euforia e desinibição podem igualmente levar os condutores a assumir comportamentos de maior risco.

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29.278 acidentes deixaram 44 mortos

Os dados provisórios da sinistralidade rodoviária sob responsabilidade da PSP mostram que, entre janeiro e junho, foram registados 29.278 acidentes.

Destes acidentes resultaram 44 vítimas mortais e 9.095 feridos, dos quais 378 ficaram gravemente feridos e 8.717 sofreram ferimentos ligeiros.

Lisboa concentrou o maior número de vítimas mortais, com 18 mortes, seguindo-se o Porto e a Região Autónoma da Madeira, ambos com seis, Coimbra, com cinco, Santarém, com três, Braga, Setúbal e a Região Autónoma dos Açores, com duas mortes cada.

Também no número de acidentes Lisboa surge destacada, com 8.313 ocorrências durante o semestre. Seguem-se o Porto, com 5.982, e a Região Autónoma dos Açores, com 1.876.

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A PSP ressalva que estes dados de sinistralidade são ainda provisórios e se encontram em consolidação.

PSP pede “condução responsável e segura”

A PSP considera que o número de infrações detetadas resulta também do reforço e intensificação das operações de prevenção e fiscalização rodoviária realizadas em território nacional.

A estratégia passa, segundo a força de segurança, por privilegiar inicialmente a sensibilização e a prevenção, seguindo-se a fiscalização enquanto instrumento dissuasor e de combate aos comportamentos de risco e às práticas ilícitas.

Perante os números agora divulgados, a PSP volta a aconselhar os automobilistas a não ingerirem bebidas alcoólicas quando vão conduzir e pede a colaboração dos cidadãos para reduzir a sinistralidade e o número de vítimas nas estradas portuguesas.

“A segurança rodoviária é uma responsabilidade de todos e exige um combate partilhado por todos. Só com uma condução responsável e segura por parte de todos os utilizadores das rodovias será possível diminuir a sinistralidade”, conclui a PSP.

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