O McDonald’s mais caro do mundo fica na Europa e uma refeição para dois pode custar 45 euros

Durante décadas, entrar num restaurante da cadeia McDonald’s significou, para milhões de consumidores, uma experiência previsível: refeições rápidas, preços relativamente acessíveis e um menu reconhecível em praticamente qualquer ponto do planeta.

Pedro Zagacho Gonçalves

Durante décadas, entrar num restaurante da cadeia McDonald’s significou, para milhões de consumidores, uma experiência previsível: refeições rápidas, preços relativamente acessíveis e um menu reconhecível em praticamente qualquer ponto do planeta. Esta consistência global ajudou a transformar a marca num dos maiores símbolos da restauração rápida, associada à conveniência e a custos geralmente moderados.

Mas há um local onde essa lógica muda por completo.

No coração dos Alpes suíços, na exclusiva localidade de Zermatt, existe um restaurante da cadeia que se tornou conhecido por um motivo pouco habitual: os preços elevados ao ponto de uma refeição para duas pessoas ultrapassar facilmente os 40 ou 50 francos suíços, o equivalente a cerca de 45 euros ou mais. Num cenário onde o custo de vida já é particularmente elevado, este estabelecimento conquistou fama internacional como aquele que muitos consideram ser o McDonald’s mais caro do mundo.

Ao contrário da imagem tradicionalmente associada à cadeia — marcada por espaços urbanos, design padronizado e ambiente funcional — o restaurante de Zermatt apresenta-se de forma bastante distinta.

Instalado num edifício com arquitetura de chalet alpino, dominado pela madeira e por uma estética típica das zonas montanhosas suíças, o espaço encaixa-se visualmente no ambiente exclusivo da vila, uma das estâncias alpinas mais conhecidas e procuradas da Europa.

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O restaurante rompe assim com o visual clássico da marca e oferece uma experiência mais integrada no contexto local, algo que ajuda a reforçar a perceção de exclusividade — mas que também acompanha preços muito acima da média internacional.

Na prática, os valores cobrados neste McDonald’s estão longe daquilo que muitos consumidores esperam pagar numa cadeia de fast food.

Na Suíça, um Big Mac pode ultrapassar os 7 francos suíços. Uma dose de batatas fritas ronda os 6 francos e uma embalagem de 20 Chicken McNuggets aproxima-se dos 19 francos.

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Somando bebidas, acompanhamentos ou sobremesas, a conta final para duas pessoas sobe rapidamente para valores acima dos 50 francos suíços, números que contrastam fortemente com mercados como Portugal, Espanha ou Reino Unido, onde uma refeição semelhante tende a ser bastante mais acessível.

Nos últimos tempos, vídeos publicados nas redes sociais por turistas e criadores de conteúdo ajudaram a reforçar essa fama, mostrando talões de compra na ordem dos 53 a 54 francos suíços para apenas duas refeições.

A Suíça lidera há anos nos preços do Big Mac
Os valores praticados não surgem por acaso.

A Suíça aparece regularmente no topo do chamado Big Mac Index, um indicador económico amplamente citado que compara o preço do Big Mac em diferentes países como forma informal de medir poder de compra e custo de vida.

O facto de a Suíça liderar frequentemente esse índice reflete vários factores estruturais, entre eles salários médios elevados, custos laborais superiores à média europeia, despesas energéticas mais altas e custos de produção significativamente superiores aos registados noutros mercados.

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A isso junta-se o próprio posicionamento de Zermatt, uma das localidades turísticas mais exclusivas dos Alpes, onde hotelaria, restauração e serviços operam frequentemente em patamares premium.

Menu mantém clássicos, mas inclui toques locais
Apesar dos preços elevados, a oferta não se limita aos produtos clássicos da cadeia.

Além dos hambúrgueres mais conhecidos mundialmente, o restaurante incorpora também algumas propostas adaptadas ao mercado suíço, incluindo opções com carne local, combinações de sabores regionais e sobremesas menos comuns noutras geografias.

Essa adaptação ao contexto local ajuda a diferenciar ainda mais a experiência, aproximando-a de um conceito menos padronizado e mais ajustado às preferências do mercado onde opera.

Paradoxo alpino: continua a ser uma opção “económica”
Curiosamente, apesar dos preços que chocam muitos visitantes, comer neste McDonald’s continua, em muitos casos, a ser visto como uma das alternativas mais acessíveis em Zermatt.

Numa localidade onde refeições em restaurantes tradicionais podem atingir facilmente valores bastante superiores, um hambúrguer, batatas e bebida acabam por representar, paradoxalmente, uma solução relativamente económica.

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