Liderar com imperfeição é liderar melhor

Opinião de Alexandre Castro Martins, Diretor de Vendas da Soprem Wood

Executive Digest

Por Alexandre Castro Martins, Diretor de Vendas da Soprem Wood

 

Durante muito tempo, criou-se a ideia de que bons líderes são aqueles que acertam sempre. Que têm todas as respostas, que decidem sem falhar e que transmitem uma imagem de controlo absoluto. Na prática, essa visão não só é irrealista como prejudica a qualidade da liderança.

Num contexto empresarial cada vez mais complexo e incerto, liderar com imperfeição não é uma fraqueza — é uma vantagem.

A busca pela perfeição tende a atrasar decisões, a bloquear equipas e a criar culturas de medo. Quando o erro é visto como falha inaceitável, as pessoas evitam arriscar, evitam decidir e evitam assumir responsabilidade. O resultado é previsível: organizações lentas, defensivas e pouco inovadoras.

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Líderes eficazes entendem que a imperfeição faz parte do processo. Não esperam pela informação completa nem pela solução ideal. Decidem com o que têm, assumem o risco e ajustam rapidamente quando necessário. Trabalham com probabilidade, não com certeza.

Este tipo de liderança cria algo essencial: velocidade com aprendizagem.

Ao aceitar que nem todas as decisões serão perfeitas, o foco muda. Em vez de evitar erros a todo o custo, a organização passa a privilegiar a capacidade de aprender rapidamente com eles. Erros pequenos são corrigidos cedo. Problemas não se acumulam. A empresa evolui em tempo real. Liderar com imperfeição também exige maturidade emocional. Significa assumir decisões que podem não resultar, sem transferir culpas. Significa dar autonomia às equipas, mesmo sabendo que nem sempre irão acertar. E significa, sobretudo, criar um ambiente onde o erro é analisado — não penalizado de forma automática.

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Isto não implica baixar exigência. Pelo contrário. Exigência e imperfeição não são opostas. O padrão continua a ser elevado, mas o caminho até lá deixa de ser rígido. O objetivo não é fazer tudo certo à primeira. É melhorar continuamente até fazer bem.

Existe ainda um impacto cultural profundo. Quando um líder aceita a imperfeição, transmite confiança. Mostra que o importante não é parecer certo, mas agir. Liberta a equipa do medo de falhar e substitui-o por responsabilidade e iniciativa.

Num mercado onde a velocidade é determinante, empresas que tentam ser perfeitas ficam para trás. As que aceitam a imperfeição — e sabem trabalhar com ela — avançam mais depressa.

No fim, liderar não é evitar erros. É garantir que, mesmo com erros, a organização continua a avançar.

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