A internacionalização tornou-se um dos pilares do crescimento da Fidelidade, reforçando a sua presença em mercados estratégicos e abrindo novas oportunidades de crescimento.
A presença internacional tem vindo a ganhar peso na actividade da Fidelidade, traduzindo uma aposta consistente na diversificação e na criação de novas oportunidades de crescimento. Com operações em diferentes geografias da América Latina, África, Ásia e Europa, o Grupo tem desenvolvido uma abordagem assente na consolidação gradual das operações e na adaptação às realidades locais.
Para Luís Jaime Marques, responsável pela Direcção Internacional da Fidelidade Companhia de Seguros, S.A., este percurso resulta de uma estratégia de longo prazo, orientada para o crescimento sustentável e para o reforço das competências do Grupo em áreas como a gestão de risco, a inovação tecnológica e a colaboração com parceiros locais. A experiência acumulada em diferentes mercados tem igualmente contribuído para fortalecer a capacidade de resposta da organização e para preparar os próximos passos da sua expansão internacional.
A Fidelidade tem reforçado a sua presença internacional nos últimos anos. Quais foram os principais drivers estratégicos por detrás deste processo de expansão?
A internacionalização da Fidelidade nasce de uma visão estratégica de longo prazo. Num mercado doméstico relativamente maduro, expandir para outras geografias permite-nos diversificar fontes de crescimento e reduzir a exposição a ciclos económicos específicos.
Ao mesmo tempo, representa a oportunidade de levar para outros mercados competências que o Grupo foi desenvolvendo ao longo de décadas, em áreas como gestão de risco, inovação tecnológica e excelência operacional.
Hoje, a dimensão internacional da Fidelidade é um dos pilares do nosso crescimento e contribui para tornar o Grupo mais diversificado, mais resiliente e melhor preparado para competir num sector cada vez mais global.
Em que mercados internacionais a Fidelidade está actualmente presente e quais têm sido prioritários do ponto de vista de crescimento?
A Fidelidade está hoje presente em várias geografias da América Latina, África, Ásia e Europa, através de diferentes modelos de operação que reflectem as características de cada mercado.
Nos últimos anos, a América Latina tem assumido particular relevância. No Peru, a La Positiva tem registado um crescimento muito significativo e consolidado a sua posição no mercado. No Chile, a operação evoluiu de forma muito positiva, tendo registado um crescimento dos prémios na ordem dos 27% e alcançado já resultados positivos.
Em África continuamos a desenvolver operações em mercados como Angola, Moçambique e Cabo Verde, enquanto na Ásia mantemos uma presença estratégica em Macau.
Mais recentemente, reforçámos também a nossa participação na The Prosperity Company (TPC), um Grupo insurtech sediado no Liechtenstein, especializado no desenvolvimento de soluções de poupança de longo prazo, planeamento da reforma e seguros de vida financeiros. Esta operação veio reforçar significativamente as nossas competências no domínio da longevidade e das soluções que combinam protecção seguradora com planeamento financeiro ao longo do ciclo de vida dos clientes.
Quais são os critérios que pesam mais na escolha de novos mercados: dimensão, maturidade do sector segurador, afinidade cultural ou potencial de inovação?
A entrada num novo mercado resulta sempre de uma análise muito rigorosa. Avaliamos o potencial de crescimento do sector segurador, a estabilidade política e económica, o enquadramento regulatório e também a afinidade cultural com a forma como trabalhamos.
Mais do que a dimensão do mercado em si, procuramos geografias onde seja possível desenvolver uma operação sustentável e construir relações de confiança com clientes e parceiros.
No actual ciclo estratégico privilegiamos uma abordagem selectiva e disciplinada, focada em oportunidades que possam gerar valor no longo prazo.
A internacionalização implica adaptação. Até que ponto a Fidelidade ajusta a sua proposta de valor aos contextos locais versus manter uma identidade global consistente?
A nossa abordagem parte de um princípio simples: estratégia global, execução local.
Mantemos uma identidade clara enquanto Grupo, assente em valores como confiança, proximidade, inovação e qualidade de serviço.
Mas reconhecemos que cada mercado tem especificidades culturais, regulatórias e económicas próprias.
Por isso, procuramos adaptar produtos, canais de distribuição e modelos de relacionamento às realidades locais. Esse equilíbrio entre consistência estratégica e flexibilidade operacional tem sido um factor determinante para o sucesso da nossa expansão internacional.
Que desafios têm sido mais críticos neste percurso?
A internacionalização implica navegar em contextos muito distintos e isso traz desafios em várias dimensões. Os enquadramentos regulatórios variam significativamente entre mercados e exigem uma grande capacidade de adaptação.
Mas muitas vezes o maior desafio é compreender a realidade cultural e a forma como as relações de negócio se constroem em cada país.
A principal aprendizagem ao longo deste percurso é clara: não existem soluções universais. É fundamental ouvir, compreender o contexto local e adaptar as nossas práticas sem perder de vista os objectivos estratégicos.
Num sector tradicional como o dos seguros, que papel tem a inovação e a tecnologia na afirmação da Fidelidade fora de Portugal?
A inovação tecnológica é hoje um factor essencial de competitividade no sector segurador.
Na Fidelidade temos vindo a investir em plataformas digitais, inteligência artificial aplicada à gestão de sinistros e soluções avançadas de analytics que permitem melhorar a subscrição e a tomada de decisão. Um exemplo concreto é o projecto GAMA, premiado a nível internacional e actualmente implementado em várias geografias, que tem contribuído para aumentar a eficiência das operações e melhorar a experiência do cliente.
Paralelamente, temos vindo a reforçar a nossa capacidade de análise de riscos emergentes através do Impact Center for Climate Change, que desenvolve conhecimento e ferramentas para compreender melhor o impacto das alterações climáticas no sector segurador.
A marca Fidelidade é, por natureza, fortemente associada ao mercado português. Como se constrói relevância e notoriedade em geografias onde essa herança não existe?
Construir relevância num novo mercado exige tempo, consistência e presença no terreno.
Mais do que depender da notoriedade histórica da marca, o que realmente faz a diferença é a capacidade de criar valor para clientes, parceiros e comunidades locais. Isso passa pela qualidade das soluções que oferecemos, pela confiança nas relações que construímos e pela proximidade com os diferentes stakeholders.
Em alguns mercados trabalhamos também com marcas locais que já têm reconhecimento e credibilidade, combinando esse capital de confiança com as competências e capacidades do Grupo Fidelidade.
Que papel têm as parcerias locais no vosso processo de entrada e consolidação em novos mercados?
As parcerias locais são muitas vezes um elemento decisivo para acelerar a integração num novo mercado.
Permitem-nos compreender melhor o contexto económico e cultural, aceder a redes de distribuição e desenvolver soluções mais ajustadas às necessidades dos clientes.
Ao mesmo tempo, são uma oportunidade para combinar conhecimento local com a experiência internacional do Grupo. Quando existe alinhamento estratégico e confiança entre as partes, estas parcerias tornam-se uma alavanca importante para o crescimento sustentável das operações.
Como é que a internacionalização tem vindo a influenciar a cultura interna e a forma de trabalhar da organização?
A internacionalização transformou profundamente a forma como trabalhamos enquanto organização.
Hoje operamos num ambiente claramente multicultural, com equipas distribuídas por diferentes geografias e fusos horários. Isso exige uma forma de trabalhar mais colaborativa, mais flexível e mais aberta à diversidade de perspectivas.
Essa interacção constante entre operações internacionais e equipas centrais do Grupo tem sido também uma fonte muito rica de aprendizagem organizacional.
A gestão de talento é um tema central na expansão internacional. Como é feita a articulação entre equipas locais e a estrutura global?
A gestão de talento é um dos factores críticos para o sucesso da nossa estratégia internacional. Procuramos combinar o conhecimento e a experiência das equipas locais com o suporte estratégico e operacional das estruturas globais.
Promovemos a mobilidade de talento, a partilha de competências entre geografias e o desenvolvimento de equipas cada vez mais internacionais e multidisciplinares.
Este modelo permite-nos reforçar capacidades locais ao mesmo tempo que garantimos alinhamento estratégico a nível global.
De que forma a experiência internacional tem contribuído para a evolução da oferta e das práticas da Fidelidade em Portugal?
A experiência internacional tem sido uma fonte extremamente rica de aprendizagem para todo o Grupo. Trabalhar em contextos distintos obriga-nos a experimentar novas abordagens, desenvolver soluções diferentes e adaptar modelos de negócio. Muitas dessas experiências acabam por gerar aprendizagens relevantes que depois são aplicadas noutras geografias, incluindo Portugal.
Essa dinâmica de aprendizagem tem sido particularmente relevante em áreas como a análise de riscos emergentes, incluindo riscos climáticos, onde o Grupo tem participado em iniciativas internacionais e estudos de referência sobre o impacto das alterações climáticas no sector segurador.
Quais as próximas ambições internacionais da Fidelidade e que papel querem desempenhar no panorama segurador global?
No actual ciclo estratégico, a nossa prioridade passa por consolidar e reforçar o potencial das operações internacionais existentes, aumentando a sua eficiência, rentabilidade e relevância nos respectivos mercados.
Ao mesmo tempo, mantemos uma atenção permanente a novas oportunidades de crescimento em geografias com elevado potencial, sempre através de uma abordagem selectiva e disciplinada.
Paralelamente continuamos a apostar em ecossistemas de inovação aberta, como o Protechting, desenvolvido em parceria com a Fosun e outras entidades do Grupo, que nos permite explorar novas soluções e antecipar tendências no sector segurador.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Internacionalização de marcas portuguesas”, publicado na edição de Abril (n.º 241) da Executive Digest.




