Escândalo na Europa? Áudios sugerem cooperação entre Hungria e Rússia contra adesão da Ucrânia à UE

A poucos dias de eleições decisivas na Hungria, a divulgação de gravações comprometedoras vem intensificar a pressão sobre o governo de Viktor Orbán e relançar o debate sobre as suas ligações a Moscovo.

Patrícia Moura Pinto

A divulgação de gravações áudio envolvendo o ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Peter Szijjártó, está a gerar preocupação sobre uma possível tentativa de Budapeste de comprometer o processo de adesão da Ucrânia à União Europeia.

De acordo com o Kyiv Post, os áudios sugerem que Szijjártó terá oferecido ao seu homólogo russo, Sergei Lavrov, um documento relacionado com as negociações de adesão da Ucrânia ao bloco europeu. Numa das conversas divulgadas, o chefe da diplomacia húngara responde afirmativamente a um pedido de Moscovo sobre informações ligadas ao papel das línguas minoritárias no processo de adesão ucraniano.

As gravações foram tornadas públicas por um consórcio de meios de comunicação investigativos, incluindo o VSquare, e fazem parte de uma série de fugas de informação que, segundo o Kyiv Post, apontam para uma relação estreita entre o Governo liderado por Viktor Orbán e o Kremlin.

Apesar de a autenticidade dos áudios não ter sido confirmada de forma independente, Szijjártó já denunciou anteriormente alegadas escutas ilegais como um “escândalo grave”. O primeiro-ministro húngaro ordenou entretanto uma investigação ao caso.

Os conteúdos divulgados surgem numa altura politicamente sensível, poucos dias antes de eleições consideradas decisivas para o futuro político de Orbán, que enfrenta um dos maiores desafios dos seus 16 anos no poder.

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Os registos áudio revelam um tom cordial entre os responsáveis húngaro e russo. Num dos excertos, Lavrov despede-se com um “tudo de bom, meu amigo”, ao que Szijjártó responde disponibilizando-se para ajudar “sempre que for necessário”.

Outras conversas mencionadas incluem discussões sobre a preparação de uma visita de Orbán a Moscovo em 2024, durante a presidência rotativa da União Europeia, bem como alegadas tentativas de bloquear novas sanções europeias contra a Rússia em 2025.

Num terceiro áudio, Szijjártó pede ainda informações a Lavrov sobre uma reunião entre Donald Trump e Vladimir Putin realizada no Alasca em 2025.

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A Hungria tem mantido uma posição ambígua relativamente à guerra na Ucrânia, com Orbán a defender que o seu país deve evitar envolvimento direto no conflito e proteger os seus interesses nacionais.

Ainda assim, as revelações agora conhecidas reforçam as críticas de que Budapeste poderá estar a agir em consonância com Moscovo, colocando em causa os esforços da União Europeia no apoio à Ucrânia e no seu processo de adesão.

Até ao momento, não houve reação oficial do Governo húngaro nem do Kremlin às novas revelações.

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