Combustíveis deverão descer, mas regresso aos preços pré-guerra “levará semanas”, alerta antigo ministro da Economia

O preço dos combustíveis deverá começar a descer já na próxima semana, na sequência da queda do petróleo após o anúncio de cessar-fogo entre os Estados Unidos da América e o Irão, mas o regresso aos valores praticados em fevereiro, antes do início do conflito, poderá demorar várias semanas.

Executive Digest

O preço dos combustíveis deverá começar a descer já na próxima semana, na sequência da queda do petróleo após o anúncio de cessar-fogo entre os Estados Unidos da América e o Irão, mas o regresso aos valores praticados em fevereiro, antes do início do conflito, poderá demorar várias semanas. A previsão é de António Costa Silva, antigo ministro da Economia e ex-presidente da petrolífera Partex, que aponta para constrangimentos logísticos e incerteza quanto aos danos nas infraestruturas energéticas do Médio Oriente.

Em declarações à Rádio Renascença, António Costa Silva afirma que “levará semanas” até que os combustíveis retomem os níveis anteriores à guerra, sublinhando que a recente descida do preço do crude — que esta quarta-feira oscilava entre os 92 e os 95 dólares por barril — terá reflexos positivos a curto prazo. “Tem que haver uma descida, sem dúvida. Podemos ver uma atenuação da situação difícil para os automobilistas e para todo o sistema de transporte nacional”, assegura, considerando que a queda do Brent constitui “um sinal muito importante para o funcionamento da economia internacional”.

Apesar desse sinal favorável, o antigo governante destaca a existência de “variáveis-chave” que condicionam uma recuperação rápida. Entre elas, a falta de cerca de 15 milhões de barris de crude no mercado internacional, consequência do fecho do estreito de Ormuz e das dificuldades na circulação marítima. Recorda que aproximadamente 800 navios chegaram a estar “sequestrados” no canal, sendo ainda incerto o ritmo a que o tráfego será normalizado.

“Eu penso que o tráfego se vai restabelecer a conta-gotas. Se isso acontecer e o acordo de paz for sólido são boas notícias para o funcionamento dos mercados, mas penso que nas próximas semanas não voltamos aos preços que tínhamos antes”, afirma, acrescentando que permanece por apurar a real dimensão dos estragos nas principais centrais energéticas da região. Entre os impactos já conhecidos, há reporte de danos num dos maiores campos de produção de gás do mundo, no Qatar, bem como sinais de degradação nos mercados asiáticos, que podem influenciar a recuperação europeia.

Costa Silva reforça que “vai demorar algumas semanas” até que os preços regressem aos níveis anteriores e alerta para o risco de contágio: “Nós também não podemos esquecer que aquilo que se está a passar nos mercados asiáticos pode contaminar a Europa”. Paralelamente, considera que, embora o Governo “está a tentar fazer um esforço” com medidas para mitigar o aumento dos combustíveis, “poderia fazer bastante mais”.

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O antigo ministro defende que o país “não pode ter excedentes e anunciar isso com grande felicidade quando está a cair aos bocados”, numa alusão ao excedente orçamental alcançado no final de 2025. Embora reconheça que “é fundamental haver equilíbrio nas contas”, sustenta que é necessário “auxiliar a economia com pacotes bem desenhados”, sobretudo num contexto de “coligação de crises”, em que a crise energética coincide com o impacto das tempestades que afetaram de forma significativa o tecido empresarial português. “Tem que haver subvenções para auxiliar as empresas. Se não existir, o tecido produtivo vai sentir muitas dificuldades”, avisa.

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