A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em forte alta, com os investidores animados pelo anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irão.
Os resultados da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average subiu 2,85%, enquanto o tecnológico Nasdaq fechou em alta de 2,80% e o alargado S&P500 escalou 2,51%.
Washington e Teerão concordaram na noite de terça-feira com uma trégua de duas semanas, aumentando as esperanças de uma retoma do tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa normalmente um quinto do crude mundial.
“Está a espalhar-se pelo mercado uma sensação de alívio”, comentou à AFP Angelo Kourkafas, analista da Edward Jones.
Os preços do petróleo caíram fortemente após o anúncio do cessar-fogo, ficando hoje abaixo do “limiar psicológico” de 100 dólares por barril, observou Kourkafas.
Isto “ajuda a aliviar os receios de recessão, a elevar as previsões de crescimento global e a reduzir as expectativas de inflação”, afirmou José Torres, da Interactive Brokers.
No entanto, a trégua parece estar por um fio, uma vez que Teerão e Israel ameaçaram hoje retomar as hostilidades.
Com negociações bilaterais previstas para sábado, o Paquistão, mediador do cessar-fogo, instou as partes a exercerem “moderação” após os ataques israelitas mortais no Líbano e o retomar dos ataques iranianos contra os países do Golfo.
Além disso, apesar do anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz, poucos navios se aventuraram hoje pela passagem, um sinal de extrema cautela contínua em relação ao futuro do conflito.
Perante os ataques israelitas, Teerão decretou mesmo durante o dia novo encerramento do estratégico Estreito.
“Dependendo dos títulos, a volatilidade pode regressar” à Bolsa de Nova Iorque, afirmou Angelo Kourkafas.
“Wall Street ainda não está livre de perigo”, acrescentou José Torres.
Na negociação de hoje, o setor energético foi especialmente penalizado, devido à queda dos preços do petróleo: a gigante petrolífera Chevron perdeu 4,34%, a ConocoPhillips caiu 4,93% e a EOG Resources recuou 3,61%.
Outra grande empresa do setor dos hidrocarbonetos, a ExxonMobil, teve uma queda de 4,70%, após indicar hoje que as perturbações causadas pela guerra no Médio Oriente reduziriam a sua produção global de petróleo em cerca de 6% no primeiro trimestre, em comparação com o trimestre anterior.
Por outro lado, as empresas com uma forte dependência do petróleo respiraram de alívio, particularmente as companhias aéreas, que recuperaram das perdas das últimas semanas, caso da Delta Air Lines (+3,78%), American Airlines (+5,55%) e Alaska Air Group (+8,11%).













