A União Europeia prepara-se para dar mais um passo na segurança rodoviária, impondo a partir de 2026 um novo sistema obrigatório nos automóveis capaz de detetar distrações ao volante.
A medida, de acordo com a publicação ‘El Español’, faz parte do Regulamento Geral de Segurança e reforça a aposta nos sistemas avançados de assistência à condução (ADAS), que já começaram a ser introduzidos nos veículos mais recentes.
Um sistema que “vigia” o condutor
O novo mecanismo, conhecido como Alerta Avançado de Distração do Condutor, recorre a sensores e algoritmos para analisar o comportamento de quem conduz.
Na prática, a tecnologia consegue identificar se o condutor está a olhar para o telemóvel, se desvia o olhar da estrada ou se apresenta sinais de fadiga ou falta de atenção.
O objetivo é simples: atacar uma das principais causas de acidentes rodoviários.
Distração continua a ser um problema crítico
Os números mostram a dimensão do problema. Em campanhas recentes de fiscalização, um em cada dez condutores foi apanhado a usar o telemóvel enquanto conduzia.
Este comportamento é punido com multa de 200 euros e perda de seis pontos na carta — mas continua a ser frequente.
Segundo as autoridades, entre 80% e 90% dos acidentes rodoviários têm origem em erro humano, muitas vezes associado a distrações, velocidade excessiva ou fadiga.
Tecnologia pode salvar milhares de vidas
A União Europeia estima que os sistemas ADAS possam evitar até 40% dos acidentes, reduzir 37% dos ferimentos graves e prevenir cerca de 29% das mortes nas estradas.
No total, isso poderá traduzir-se em mais de 25 mil vidas salvas e 140 mil feridos graves evitados em toda a Europa.
Inteligência artificial entra na equação
A evolução destes sistemas está cada vez mais ligada à inteligência artificial. Tecnologias de visão computacional permitem já identificar dezenas de comportamentos ao volante, aumentando a capacidade de prevenção.
Projetos recentes demonstram que este tipo de soluções pode reduzir significativamente tanto o número de acidentes como a sua gravidade.
Uma evolução com quase um século
Apesar de parecer uma inovação recente, os sistemas de assistência à condução têm raízes antigas. Já em 1930 surgiam as primeiras soluções para evitar o bloqueio dos travões.
Agora, quase um século depois, a tecnologia entra numa nova fase — mais inteligente, mais autónoma e com um papel central na segurança rodoviária.
Um passo para mudar comportamentos
Com esta nova obrigatoriedade, a União Europeia pretende não só reforçar a segurança dos veículos, mas também alterar comportamentos ao volante.
Num cenário em que a tecnologia passa a “vigiar” o condutor, a margem para distrações poderá tornar-se cada vez menor — e as estradas, potencialmente, mais seguras.









