Trump sugere pena de morte para media por notícias sobre a guerra com o Irão durante os Óscares

Nos Estados Unidos, o crime de traição é um dos mais graves previstos na lei, podendo resultar em pena de morte ou em penas de prisão de pelo menos cinco anos

Francisco Laranjeira

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que alguns meios de comunicação social deveriam ser acusados de “traição” por divulgarem o que considera ser informação falsa fornecida por autoridades iranianas sobre a guerra em curso entre Washington e Teerão.

Numa série de publicações feitas na rede social ‘Truth Social’ na noite deste domingo, Trump criticou duramente a cobertura mediática do conflito e acusou vários órgãos de comunicação de amplificarem uma alegada notícia falsa sobre a destruição de um porta-aviões americano.

Segundo o presidente, o Irão teria difundido um vídeo gerado por inteligência artificial que mostraria o suposto ataque ao navio militar. Trump afirmou que alguns meios de comunicação divulgaram essa informação apesar de ela ser “sabidamente falsa”.

“A história era sabidamente falsa e, de certa forma, pode-se dizer que os veículos de comunicação que a divulgaram deveriam ser acusados de traição pela disseminação de informações falsas”, escreveu Trump na sua plataforma.

Nos Estados Unidos, o crime de traição é um dos mais graves previstos na lei, podendo resultar em pena de morte ou em penas de prisão de pelo menos cinco anos, além de multas mínimas de 10.000 dólares (cerca de 9.200 euros) e da proibição de exercer cargos públicos.

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Ataques à imprensa e a jornalistas

Nas publicações feitas ao longo da noite, Trump acusou ainda aquilo que chamou de “Imprensa Radical de Esquerda” de divulgar deliberadamente informações falsas sobre o conflito com o Irão, ao mesmo tempo que afirmou que os Estados Unidos estariam a “dizimar” as forças iranianas.

O presidente voltou também a criticar diretamente jornalistas durante uma conferência de imprensa realizada a bordo do ‘Air Force One’ no domingo, onde afirmou que a ‘ABC News’ é “talvez a organização de notícias mais corrupta do planeta”.

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Trump tem acusado repetidamente os meios de comunicação de não refletirem aquilo que considera ser a realidade da guerra e de não adotarem uma narrativa que descreve como mais favorável aos Estados Unidos.

Administração reforça críticas aos media

As críticas à imprensa não partiram apenas do presidente. Desde que Trump ordenou ataques militares contra o Irão no final de fevereiro, vários membros da sua administração têm acusado os media americanos de divulgar informações incorretas sobre o conflito.

O secretário da Defesa, Pete Hegseth, tem sido um dos responsáveis mais ativos nesse confronto com jornalistas. Em várias conferências de imprensa recentes, criticou repórteres por perguntas consideradas hostis ou enganosas.

Numa dessas ocasiões, Hegseth respondeu de forma ríspida a um jornalista que questionou se os Estados Unidos poderiam enviar tropas terrestres para o conflito. Noutra conferência, acusou a imprensa de publicar manchetes falsas sobre uma eventual escalada da guerra.

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Ameaças de medidas contra os media

A tensão entre a Casa Branca e os meios de comunicação tem aumentado nas últimas semanas. Outros membros da administração Trump já sugeriram medidas contra órgãos de comunicação social cuja cobertura seja considerada injusta pelo governo.

O presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Brendan Carr, afirmou que as licenças de transmissão de algumas emissoras poderiam ser revistas caso a cobertura da guerra seja considerada parcial.

Trump disse apoiar essa possibilidade e afirmou que está satisfeito por Carr estar a analisar as licenças de algumas organizações que descreveu como “corruptas e altamente antipatrióticas”.

Além das críticas à imprensa, Trump utilizou também as publicações de domingo para atacar a decisão do Supremo Tribunal que travou a sua política tarifária, acusando os juízes de serem “completamente ineptos e vergonhosos”. Também criticou um juiz federal que rejeitou uma tentativa do governo de intimar o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell.

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