Há cerca de um ano, a administração de Donald Trump lançou uma ambiciosa reforma do aparelho federal com o objetivo de reduzir drasticamente o tamanho do Governo dos Estados Unidos. Elon Musk tornou-se o rosto mais visível dessa estratégia, apresentada como uma ofensiva contra a burocracia de Washington, relata o ‘El Español’.
A promessa era simples: eliminar desperdícios, reduzir o número de funcionários públicos e demonstrar que o Estado federal poderia funcionar com muito menos recursos humanos. Desde janeiro de 2025, a Casa Branca despediu, suspendeu ou aceitou a saída de mais de 387 mil funcionários federais, uma das maiores reestruturações administrativas em décadas.
A experiência de Musk para reduzir o Estado
O plano foi estruturado em torno do chamado Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), uma iniciativa que a administração apresentou como uma revolução administrativa destinada a tornar o Estado mais ágil e eficiente.
Durante meses, o Governo eliminou gabinetes, encerrou programas ligados a direitos civis e diversidade e congelou grande parte das novas contratações federais. No entanto, o impacto económico da medida ficou aquém do prometido.
Segundo o ‘El Español’, as despesas federais em 2025 acabaram por ser superiores às do ano anterior, e o Governo não conseguiu apresentar provas concretas da fraude massiva que afirmava existir dentro da administração pública.
Washington volta a contratar
Face às dificuldades operacionais, várias agências federais começaram agora a contratar novamente funcionários para preencher cargos essenciais.
Nos últimos meses, cerca de 123 mil trabalhadores foram integrados no aparelho do Estado. Os dados divulgados pelo Gabinete de Gestão de Pessoal indicam que muitos serviços públicos não conseguiram manter o funcionamento normal após os cortes.
Um dos exemplos mais evidentes é a Administração da Segurança Social, que planeia contratar pelo menos 700 novos funcionários e aumentar a equipa em mais 1.000 trabalhadores para responder ao aumento de chamadas de cidadãos.
A agência perdeu cerca de 7.000 postos de trabalho no último ano, o que obrigou a transferir funcionários de outras áreas para tentar responder às solicitações da população.
Serviços públicos com dificuldades
Outras instituições enfrentam problemas semelhantes. O Departamento de Assuntos de Veteranos tenta reforçar as equipas de saúde, mas tem dificuldades em atrair profissionais.
As candidaturas a vagas de enfermagem caíram cerca de 50% este ano, o que está a aumentar as listas de espera para cuidados médicos.
Também o Internal Revenue Service (IRS), a autoridade fiscal dos Estados Unidos, enfrenta dificuldades em recrutar funcionários. A agência conseguiu contratar apenas 50 trabalhadores dos cerca de 2.200 que pretendia integrar para processar as declarações fiscais de 2026.
Outra entidade fortemente afetada pelos cortes foi a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestruturas (CISA), responsável por proteger infraestruturas críticas contra ataques informáticos. A agência perdeu quase 40% do seu pessoal no último ano, deixando os serviços mais vulneráveis.
Uma nova burocracia mais controlada
Apesar do recuo parcial, a Administração Trump continua determinada em reformar profundamente o serviço público federal. O objetivo agora passa por reconstruir uma máquina administrativa mais pequena, mais jovem e mais alinhada com as prioridades políticas da Casa Branca.
A administração criou novas categorias de cargos que facilitam a contratação de pessoas próximas da agenda presidencial e permitem também despedir mais facilmente funcionários considerados desalinhados com as políticas do Governo.
Além disso, o processo de contratação foi centralizado, aumentando o peso de nomeados políticos na seleção de funcionários e revertendo várias iniciativas de diversidade introduzidas por administrações anteriores.
Um serviço público mais jovem
Outra prioridade da Casa Branca é rejuvenescê-lo. Atualmente, apenas cerca de 7% dos funcionários públicos federais têm menos de 30 anos.
Para alterar este cenário, o governo lançou o programa Tech Force, desenvolvido em parceria com empresas tecnológicas como a OpenAI e a Meta. O objetivo é colocar engenheiros de software e analistas de dados em diferentes agências federais.
Segundo o ‘El Español’, o plano pretende tornar o Governo mais atrativo para jovens profissionais e especialistas em tecnologia, especialmente em áreas como saúde, gestão pública e inovação digital.
O equilíbrio da nova estratégia
Apesar da nova vaga de contratações, a Administração Trump não descarta novos cortes no futuro. O diretor do Gabinete de Gestão de Pessoal, Scott Kupor, afirmou que ainda existem “mais oportunidades para reestruturar” agências federais.
Assim, Washington está agora a corrigir alguns dos efeitos da reforma administrativa impulsionada por Elon Musk, mas sem abandonar o objetivo político de transformar profundamente o funcionamento da burocracia federal.
Segundo o ‘El Español’, a nova fase da reforma procura criar um aparelho de Estado mais pequeno, mais alinhado com o poder político e mais controlado diretamente pela Casa Branca.





