Trump, o ‘presidente da paz’: sete países atacados e seis ameaçados em 14 meses na Casa Branca

Na noite da sua vitória eleitoral em novembro de 2024, o presidente americano chegou mesmo a prometer que iria “acabar com todas as guerras”, incluindo a invasão russa da Ucrânia, que dizia poder resolver “em poucas horas”

Francisco Laranjeira

Donald Trump terminou o seu primeiro mandato presidencial, em 2021, afirmando ter orgulho por ser “o primeiro presidente em décadas que não iniciou nenhuma nova guerra”. A promessa de evitar novos conflitos foi repetida durante a campanha eleitoral que o levou novamente à Casa Branca em 2024, quando garantiu que não arrastaria os Estados Unidos para “guerras intermináveis” como as do Afeganistão e do Iraque, relata o ‘El Español’.

Na noite da sua vitória eleitoral em novembro de 2024, o presidente americano chegou mesmo a prometer que iria “acabar com todas as guerras”, incluindo a invasão russa da Ucrânia, que dizia poder resolver “em poucas horas”.

No entanto, desde o regresso ao poder, a atuação militar da administração Trump tem sido marcada por múltiplas operações e ameaças de intervenção. Segundo uma análise do think tank americano ‘Armed Conflict Location and Event Data’ (ACLED), citada pelo ‘El Español’, os EUA atacaram alvos em pelo menos sete países e o presidente ou os seus aliados mais próximos chegaram a ameaçar outros seis com possíveis invasões ou anexações.

A primeira grande guerra do segundo mandato

A mais recente intervenção militar americana, denominada Operação Fúria Épica, foi lançada em conjunto com Israel contra o Irão a 28 de fevereiro. O conflito rapidamente se transformou no primeiro grande confronto militar do segundo mandato de Trump, envolvendo vários países do Médio Oriente e com um desfecho ainda incerto.

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Antes deste conflito de maior escala, várias operações foram descritas pela administração americana como intervenções “cirúrgicas”, destinadas a obter resultados rápidos e limitar os custos políticos e económicos.

Um dos episódios mais controversos ocorreu na Venezuela, quando forças americanas realizaram uma operação militar que levou à captura do presidente Nicolás Maduro e da sua mulher, Cilia Flores, após semanas de operações navais na região das Caraíbas e no Pacífico oriental.

Expansão das operações militares

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Logo após regressar à Casa Branca, Trump autorizou também a expansão das operações antiterroristas no estrangeiro. Nos primeiros dias do mandato, os Estados Unidos realizaram ataques contra alvos associados ao grupo Al Shabab, ligado à Al-Qaeda, e contra militantes do Estado Islâmico na Somália e no Iraque.

Na primavera seguinte, Washington iniciou uma campanha intensiva de bombardeamentos contra as milícias Houthi no Iémen, aliadas do Irão. Segundo o Pentágono, mais de mil alvos foram atingidos, incluindo quartéis-generais, depósitos de armas e locais de lançamento de mísseis.

Outro episódio marcante ocorreu na Nigéria, quando as forças americanas realizaram ataques aéreos contra grupos jihadistas no noroeste do país. A operação foi apresentada pela administração Trump como resposta a ataques contra comunidades cristãs, embora a violência na região também tenha vitimado populações muçulmanas.

Também na Síria, os Estados Unidos voltaram a atacar posições do Estado Islâmico após um ataque a uma base militar em Palmira que causou a morte de dois soldados americanos.

Escalada com o Irão

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Entre as operações mais sensíveis estiveram os bombardeamentos realizados em junho contra instalações nucleares iranianas em Isfahan, Natanz e Fordow. Na altura, o Pentágono afirmou que os ataques tinham neutralizado a ameaça do programa nuclear iraniano.

Segundo o ‘El Español’, esses bombardeamentos acabaram por ser um prelúdio da atual guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão, um conflito cujos objetivos continuam a evoluir e cujo desfecho permanece incerto.

A retórica de confrontação

Para além das operações militares, Trump tem também alimentado tensões diplomáticas com várias declarações polémicas. Entre as propostas mais controversas estão a ideia de transformar o Canadá no 51º estado dos Estados Unidos, comprar ou assumir o controlo da Gronelândia — território autónomo do Reino da Dinamarca — e recuperar influência sobre o Canal do Panamá.

O presidente americano chegou ainda a sugerir mudanças no nome do Golfo do México e a considerar possíveis operações militares na Colômbia, acusando o país de facilitar o tráfico de cocaína para os Estados Unidos.

Segundo o ‘El Español’, Trump também tem pressionado Cuba com um endurecimento das sanções energéticas e ameaças de provocar uma mudança de regime na ilha governada por Miguel Díaz-Canel.

Assim, apesar das promessas iniciais de reduzir o envolvimento militar dos Estados Unidos no estrangeiro, o segundo mandato de Trump tem sido marcado por uma política externa mais agressiva e por uma crescente presença militar americana em várias regiões do mundo.

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