Portugal mantém uma forte dependência energética do exterior, apesar do aumento significativo da produção de energia a partir de fontes renováveis nas últimas décadas. Segundo dados recentes da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), cerca de dois terços da energia consumida no país continuam a ser importados, sobretudo sob a forma de petróleo e gás natural.
O relatório mais recente da entidade, com dados referentes a 2023, indica que a dependência energética nacional se situa nos 66,7%, o que significa que a maior parte da energia utilizada em território português tem origem fora do país.
Embora o valor tenha registado uma redução recente, Portugal continua acima da média europeia no que diz respeito à dependência energética.
Segundo a DGEG, “a dependência energética de Portugal foi de 66,7%, menos 4,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior e menos 6,9 pontos percentuais face a 2013”.
Apesar da descida, o país continua entre os mais dependentes da União Europeia. O relatório acrescenta que Portugal foi o 11.º Estado-membro com maior dependência energética, situando-se 8,4 pontos percentuais acima da média da UE-27, que foi de 58,3%.
Este cenário ocorre mesmo num contexto em que a produção de energia renovável tem ganho peso significativo na estrutura energética nacional.
Petróleo continua a dominar o consumo energético
Entre as diferentes fontes de energia utilizadas em Portugal, o petróleo mantém um papel dominante, sendo responsável por uma parcela muito significativa do consumo.
De acordo com os dados da DGEG, o petróleo representa quase metade da energia consumida no país, quer na forma de energia primária, quer no consumo final.
Se for considerado apenas o consumo final de energia, o peso do petróleo torna-se ainda mais evidente: 46% da energia consumida em Portugal provém de derivados petrolíferos.
As energias renováveis têm uma presença consideravelmente mais reduzida neste indicador, contribuindo com 12,8% do consumo final, enquanto o gás natural representa 9,6%. A eletricidade ocupa também uma fatia relevante no consumo total.
Diversidade de países fornecedores
Portugal não possui produção significativa de petróleo ou gás natural, o que obriga o país a recorrer a importações provenientes de vários mercados internacionais.
Segundo a DGEG, desde o início do século XXI Portugal já importou petróleo de 28 países e gás natural de 13 países diferentes. No entanto, a diversidade de fornecedores tem vindo a diminuir, verificando-se atualmente uma maior concentração em alguns parceiros principais.
Brasil é o maior fornecedor de petróleo
De acordo com o relatório mais recente da DGEG, publicado em 2024, o Brasil é atualmente o principal fornecedor de petróleo a Portugal.
Quase metade do petróleo que chega aos portos portugueses tem origem brasileira, o que coloca o país sul-americano como o parceiro dominante no abastecimento de crude.
Outros fornecedores importantes são os Estados Unidos e a Argélia, que também exportam quantidades relevantes de petróleo para o mercado português.
Além destes, existem registos de importações provenientes de vários outros países, entre os quais Azerbaijão, Gana, Líbia, Nigéria e Noruega. Ao longo dos últimos anos, a lista de fornecedores incluiu ainda Estados como Venezuela ou Gabão, demonstrando a diversidade de origens do crude consumido em Portugal.
Gás natural: Estados Unidos, Nigéria e Argélia entre os principais parceiros
No caso do gás natural, Portugal também depende quase totalmente de importações externas.
Embora o país ainda receba gás proveniente da Rússia, essa relação tem atualmente um peso residual. A continuidade das importações deve-se sobretudo a compromissos contratuais previamente estabelecidos.
Entre os fornecedores mais relevantes encontram-se Estados Unidos, Nigéria e Argélia, que constituem as principais origens do gás consumido em território nacional.
Há igualmente registos de importações a partir de Espanha, embora neste caso o país vizinho funcione essencialmente como intermediário. Parte do gás natural proveniente do Norte de África entra na Península Ibérica através de gasodutos que chegam primeiro a Espanha e só depois seguem para Portugal.
Impacto das crises no Médio Oriente
Apesar de Portugal não importar petróleo ou gás natural diretamente de países do Médio Oriente, os acontecimentos nessa região continuam a ter impacto no mercado energético nacional.
O motivo prende-se com o facto de o mercado petrolífero ser global, reagindo rapidamente a qualquer instabilidade nas principais rotas de transporte de energia.
Um dos pontos mais sensíveis é o Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica por onde circula cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo. O encerramento ou bloqueio dessa rota pode provocar fortes oscilações nos preços internacionais do crude.
A situação ilustra bem um velho princípio frequentemente citado no setor energético: “O Médio Oriente espirra e o mundo petrolífero constipa-se.”
Reservas garantem abastecimento a curto prazo
Apesar das possíveis flutuações nos preços internacionais da energia, as autoridades europeias garantem que o abastecimento não está em risco imediato.
A União Europeia mantém reservas estratégicas de petróleo que permitem assegurar o funcionamento do mercado durante cerca de 90 dias, uma garantia que também se aplica a Portugal.
Assim, embora o país continue fortemente dependente da importação de combustíveis fósseis, existem mecanismos de segurança que procuram proteger o abastecimento energético em caso de crises internacionais.




