As mulheres portuguesas representam 59,1% do capital humano qualificado em Portugal, posicionando o país como o terceiro da União Europeia com maior percentagem de mulheres no emprego qualificado, apenas atrás da Estónia e da Letónia. Contudo, apesar desta presença significativa no mercado de trabalho qualificado, apenas 15,7% ocupam cargos de CEO e de executivos nas maiores empresas em Portugal.
Os dados constam da mais recente análise da Randstad Research sobre o talento feminino no mercado de trabalho, divulgada no âmbito do Dia Internacional da Mulher. O estudo revela que a estrutura do emprego em Portugal continua a apresentar fronteiras de género muito marcadas, com uma clara concentração do talento feminino em determinados setores e uma menor presença em áreas tradicionalmente dominadas por homens.
As mulheres estão mais representadas nos setores da saúde e apoio social, que concentram 16,5% do emprego feminino, e na educação, com 12,9%. Já os homens dominam áreas como a indústria, onde representam 21,2% do emprego, e a construção, com 12,6%. Segundo a análise, esta segregação demonstra que as barreiras estruturais e os estereótipos continuam a influenciar a distribuição do talento, canalizando homens e mulheres para áreas distintas e limitando a diversidade em vários setores.
O maior fosso salarial do país verifica-se na área das atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas, onde a disparidade salarial atinge os 48,5% a favor dos homens. De forma mais ampla, o diferencial de rendimento médio mensal líquido situa-se nos 17,3%, o que corresponde a uma diferença de 205 euros entre a média masculina, que se fixa nos 1.388 euros, e a feminina, nos 1.183 euros.
No plano sectorial, o diferencial de remuneração também é expressivo na saúde e apoio social, onde o gender pay gap atinge 29,6%, o valor mais elevado desde 2011 neste setor. Em contraste, setores tradicionalmente dominados por homens, como a construção, apresentam um gap negativo de -14,7%, o que indica que as poucas mulheres presentes ocupam, em média, funções técnicas ou de gestão mais bem remuneradas do que a base operacional masculina.
A análise destaca ainda desigualdades na gestão do tempo de trabalho. As mulheres representam 62,9% dos trabalhadores em regime de tempo parcial. Entre estas, a proporção de mulheres em part-time com crianças no agregado familiar é de 8,5%, mais do dobro do valor registado entre os homens, que se fixa nos 3,2%. No regime parcial, as principais razões apontadas pelas mulheres prendem-se com os cuidados a adultos com deficiência ou crianças, enquanto para os homens o motivo mais referido é a educação ou formação.
“Estes dados comprovam que ainda existe um longo caminho a percorrer. Apesar de se ter feito um caminho próspero no Índice Global de Igualdade de Género e de termos uma fatia tão grande de talento altamente qualificado, a falha na progressão para lugares de topo, aliada à disparidade salarial e ao impacto dos cuidados familiares, deixa-nos o alerta de que a paridade real no mercado de trabalho ainda não se alcançou e que as empresas devem continuar a fazer um esforço por este caminho.”, destaca Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal.














