O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que os países do Médio Oriente utilizaram mais de 800 mísseis do sistema de defesa aérea Patriot nos primeiros três dias do atual conflito regional para contrariar ataques iranianos, um número que, segundo sublinhou, supera a quantidade total de mísseis desse tipo alguma vez disponível para a Ucrânia desde o início da guerra contra a Rússia.
A declaração foi feita durante um briefing realizado esta quinta-feira, no qual o chefe de Estado ucraniano descreveu o impacto militar imediato da escalada de tensão no Médio Oriente e o papel que Kiev poderá desempenhar na cooperação de defesa com os países da região.
De acordo com Zelensky, as consultas diplomáticas realizadas por Kiev com vários países do Médio Oriente evidenciam a crescente necessidade de sistemas de defesa aérea para enfrentar ataques com mísseis e drones.
O presidente revelou que os aliados regionais utilizaram um número muito elevado de mísseis PAC-3 do sistema Patriot para travar os ataques provenientes do Irão.
“Estamos a realizar consultas com todos os líderes do Médio Oriente — Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia — e falarei hoje com outros”, afirmou Zelensky. Segundo explicou, essas conversações demonstram que os países da região necessitam não apenas de sistemas de defesa, mas também da experiência adquirida pela Ucrânia ao longo do conflito com a Rússia.
“Por exemplo, os países do Médio Oriente usaram mais de 800 mísseis PAC-3 durante estes ataques. A Ucrânia nunca teve tantos mísseis para repelir ataques durante toda a guerra”, declarou.
Patriot não basta para travar todos os drones
O presidente ucraniano salientou, no entanto, que mesmo sistemas avançados como o Patriot não são suficientes para neutralizar todas as ameaças aéreas, sobretudo quando se trata de drones de ataque do tipo Shahed.
Nesse contexto, Zelensky recordou que apresentou aos parceiros internacionais uma proposta para desenvolver uma cooperação mais estreita em matéria de defesa aérea. A ideia passa por fornecer drones interceptores produzidos pela Ucrânia em troca de mísseis Patriot.
“Ontem tive consultas com todos — desde o comandante-chefe e o chefe do Estado-Maior até ao ministro da Defesa, a liderança militar, a administração e os serviços de inteligência”, disse. Segundo explicou, essas reuniões permitiram avaliar com precisão as necessidades operacionais do país.
“Percebemos claramente quantos drones interceptores precisamos e quantos podemos produzir rapidamente adicionalmente se estabelecermos esse diálogo com os nossos parceiros”, acrescentou.
Ucrânia oferece experiência militar e proteção de infraestruturas
Zelensky sublinhou ainda que a Ucrânia está pronta para partilhar o conhecimento adquirido na proteção de infraestruturas críticas, incluindo instalações civis e infraestruturas petrolíferas, um tema particularmente sensível para vários países do Médio Oriente.
Segundo o presidente, a experiência acumulada pelas forças ucranianas ao longo da guerra tem agora valor estratégico não apenas para Kiev, mas também para os seus parceiros internacionais.
Kiev alerta para impacto global da crise no Médio Oriente
Durante o mesmo briefing, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, advertiu que a deterioração da situação de segurança no Médio Oriente tem implicações diretas para a própria Ucrânia.
O chefe da diplomacia ucraniana afirmou que o Irão representa uma ameaça global, tanto pelo risco associado ao seu programa nuclear como pelo fornecimento de armamento à Rússia.
Sybiha recordou que Kiev já reagiu diplomaticamente à situação e condenou os ataques iranianos contra países da região.
“Como o presidente já observou, a nossa experiência de combate, o nosso conhecimento operacional e as nossas tecnologias estão agora entre os maiores ativos tanto das nossas forças armadas como do posicionamento geopolítico da Ucrânia”, afirmou.
Segundo acrescentou, vários parceiros internacionais já manifestaram interesse em cooperar com Kiev nesse domínio.
“Recebemos pedidos dos nossos parceiros para cooperação nesta área. Estamos atualmente a discutir prazos concretos e passos práticos para contribuir para a desescalada e reduzir os desafios de segurança na região”, concluiu.




