A Associação Comercial do Porto convidou o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e o antigo deputado socialista Sérgio Sousa Pinto para coordenarem um estudo sobre reformas estruturais e os bloqueios que travam a economia portuguesa, em colaboração com a Faculdade de Economia da Universidade do Porto, noticiou esta segunda-feira o jornal ‘Público’.
O trabalho encontra-se na fase final de diagnóstico. Óscar Afonso, diretor da Faculdade de Economia, explicou que o objetivo passa por identificar “quais são os bloqueios que a economia portuguesa enfrenta”, seguindo-se depois a apresentação de propostas de políticas públicas que permitam estimular o crescimento.
A iniciativa partiu do presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho, que justificou o convite com o facto de Passos Coelho e Sérgio Sousa Pinto representarem “quadrantes políticos diferentes”, mas serem simultaneamente “muito independentes” e com “pensamento para o país”. Pesou ainda na escolha o facto de nenhum dos dois exercer atualmente cargos políticos.
A conclusão do estudo está prevista para dezembro deste ano. Paralelamente, ambos foram também convidados para coordenar um outro trabalho sobre o sistema eleitoral, desta vez em parceria com a Universidade Católica.
Com 191 anos de existência, a Associação Comercial do Porto apresenta-se como a mais antiga associação portuguesa. O objetivo, segundo Nuno Botelho, é trazer para o debate público conhecimento útil para o país.
O contexto político em torno de Pedro Passos Coelho adensa o significado da iniciativa. O ex-primeiro-ministro não rejeitou, este sábado, um eventual regresso à vida política. Depois de várias intervenções públicas numa semana marcada por críticas duras ao Executivo liderado por Luís Montenegro, Passos declarou que não é “candidato a nada”, mas também sublinhou que “nunca disse que nunca mais voltaria a fazer política”.
No Museu do Oriente, em Lisboa, deixou a porta entreaberta: se regressar, “não será seguramente pelas melhores razões”, sugerindo que apenas um cenário de crise o poderia justificar.
Mais adiante, o ‘Público’ recorda que Miguel Relvas, antigo braço-direito de Passos Coelho, considera que o ex-líder social-democrata tem “um projeto para o país” e que, se quisesse avançar, “já tinha o programa”. Para Relvas, existe no atual “mercado eleitoral volúvel da direita” uma “identidade Passos Coelho”, defendendo mesmo que há um espaço claro para o antigo primeiro-ministro. “Quem é o navio almirante? Pedro Passos Coelho.”
Também Pedro Gomes Sanches, que não é militante do PSD, mas se assume apoiante do regresso de Passos, entende que o ex-primeiro-ministro é “o único capaz de federar uma direita maioritária”, mitigando os excessos do Chega sem afastar o seu eleitorado.
A questão central, porém, é o momento. Num cenário político descrito como de “ciclos vertiginosos”, poucos antecipam eleições no curto prazo. Ainda assim, como sublinhou o ‘Público’, a sucessão de tempestades políticas recentes demonstra que o quadro pode mudar rapidamente.
Entre estudos académicos e sinais políticos, o nome de Pedro Passos Coelho volta assim a ganhar centralidade no debate sobre o futuro da economia — e da direita — em Portugal.







