Mais de 40 mil Volvo EX30 chamados à oficina por risco de incêndio na bateria

Em Portugal, apurou a ‘Executive Digest’, as viaturas comercializadas não estão abrangidas por esta ação

Automonitor

A Volvo Cars avançou com um recall de mais de 40.000 unidades do SUV elétrico EX30 devido a um potencial risco de sobreaquecimento das baterias, confirmou a marca à ‘Reuters’, segundo noticia o ‘The Independent’. Em Portugal, apurou a ‘Executive Digest’, as viaturas comercializadas não estão abrangidas por esta ação.

O recall envolve 40.323 unidades das versões EX30 Single Motor Extended Range e Twin Motor Performance equipadas com determinadas células de alta voltagem. A intervenção passa pela substituição de módulos dentro dos conjuntos de baterias de alta tensão, numa operação que será realizada sem custos para os proprietários.



O EX30 é um modelo estratégico para a Volvo, especialmente na sua aposta no segmento elétrico compacto, onde enfrenta concorrência crescente de fabricantes chineses com propostas mais acessíveis. A segurança das baterias assume, por isso, particular sensibilidade para uma marca cuja reputação histórica assenta precisamente nos padrões de segurança.

A empresa, controlada maioritariamente pelo grupo chinês Geely, informou que está a contactar os proprietários afetados para indicar os próximos passos. Enquanto a substituição não for efetuada, a Volvo recomenda que o carregamento seja limitado a 70% para mitigar qualquer risco de incêndio. Em vários países — incluindo Estados Unidos, Austrália e Brasil — os proprietários foram ainda aconselhados a estacionar longe de edifícios.

As baterias em causa foram produzidas por uma ‘joint venture’ apoiada pela Geely, a Shandong Geely Sunwoda Power Battery Co. A Volvo garantiu que o fornecedor já identificou e solucionou a origem do problema, comprometendo-se a disponibilizar as novas células de substituição.

Segundo o ‘The Independent’, as ações da Volvo Cars chegaram a cair 4% após a divulgação do recall. O momento é particularmente delicado para a construtora sueca, que anunciou planos para reduzir custos em cerca de 1,9 mil milhões de dólares (aproximadamente 1,75 mil milhões de euros), ao mesmo tempo que aprofunda a integração com a Geely.

Especialistas do setor alertam que a Volvo tem menor margem para falhas do que muitos concorrentes. Sam Fiorani, da AutoForecast Solutions, sublinhou que o EX30 é crucial para a estratégia da marca e que “precisam de acertar em cheio”. Já Andy Palmer, antigo executivo da indústria automóvel, afirmou que um problema de segurança atinge diretamente o núcleo da identidade da Volvo.

De acordo com uma análise citada pela ‘Reuters’, o custo potencial da substituição dos módulos de bateria poderá atingir 195 milhões de dólares (cerca de 180 milhões de euros), sem contabilizar despesas logísticas e de mão de obra. A Volvo considerou estes cálculos “especulativos” e indicou que está em negociações com o fornecedor.

Antes do anúncio oficial, dois proprietários entrevistados pela ‘Reuters’ manifestaram intenção de devolver os seus veículos, evidenciando o impacto reputacional que a situação poderá ter. Um cliente britânico afirmou ter escolhido o EX30 pela autonomia e pela imagem de segurança da marca, defendendo que a Volvo deve assumir total responsabilidade.

Apesar do alcance internacional do recall, foi apurado que as viaturas comercializadas em Portugal não estão incluídas na campanha, não existindo indicação de risco para os proprietários nacionais.

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