Donald Trump afirmou, perante apoiantes numa siderurgia em Rome, no estado da Geórgia, que chegou a ponderar atribuir a si próprio a Medalha de Honra do Congresso após uma visita ao Iraque em 2018, relatou esta sexta-feira o britânico ‘The Independent’. O comentário surgiu durante um dos seus habituais apartes improvisados, ao recordar o combate ao autoproclamado Estado Islâmico no seu primeiro mandato.
“Eu voei para o Iraque. Fui extremamente corajoso. Tão corajoso que quis conceder-me a Medalha de Honra do Congresso”, declarou o presidente perante a multidão. Trump acrescentou que chegou mesmo a perguntar à sua equipa se poderia atribuir a si próprio a mais alta condecoração militar dos Estados Unidos, afirmando que um dia poderia “testar a lei”.
A Medalha de Honra do Congresso é atribuída a militares que arriscaram a vida “para além do dever”, distinguindo atos de bravura excecionais em contexto de combate. Entre os condecorados ao longo da história encontram-se oficiais e sargentos que enfrentaram fogo inimigo no Vietname ou no Afeganistão para salvar camaradas sob ataque.
De acordo com o ‘The Independent’, Trump nunca serviu nas Forças Armadas dos EUA e não esteve envolvido em qualquer combate durante a sua visita de cerca de três horas e meia à Base Aérea de Al Asad, no Iraque, em 2018. Ainda assim, apresentou a deslocação como um ato de coragem pessoal, sugerindo em tom aparentemente jocoso que mereceria a distinção.
No mesmo discurso, centrado sobretudo na indústria transformadora e na economia, o presidente reiterou que herdou uma “situação caótica” e defendeu que a sua administração conseguiu inverter o rumo económico. Dados recentes do Pew Research Center indicam, porém, que apenas 28% dos americanos têm atualmente uma visão positiva da economia.
Trump, que ao longo do segundo mandato se tem apresentado como promotor da paz e já manifestou interesse em receber o Prémio Nobel da Paz, voltou também a abordar temas de política externa. O presidente foi reconhecido pelo papel num cessar-fogo entre Israel e o Hamas, embora os termos do acordo sejam considerados frágeis por alguns analistas.
Perante a reação às suas declarações sobre a medalha, Trump afirmou que estaria a “divertir-se” e antecipou que os “media de notícias falsas” poderiam retirar as suas palavras de contexto. Ainda assim, a referência direta à autoatribuição da mais elevada distinção militar dos EUA voltou a gerar controvérsia, dado o simbolismo associado à condecoração.




