Trump diz que quis atribuir a si próprio a mais alta condecoração militar dos EUA… porque fez uma visita de três horas ao Iraque

Medalha de Honra do Congresso é atribuída a militares que arriscaram a vida “para além do dever”, distinguindo atos de bravura excecionais em contexto de combate

Francisco Laranjeira

Donald Trump afirmou, perante apoiantes numa siderurgia em Rome, no estado da Geórgia, que chegou a ponderar atribuir a si próprio a Medalha de Honra do Congresso após uma visita ao Iraque em 2018, relatou esta sexta-feira o britânico ‘The Independent’. O comentário surgiu durante um dos seus habituais apartes improvisados, ao recordar o combate ao autoproclamado Estado Islâmico no seu primeiro mandato.

“Eu voei para o Iraque. Fui extremamente corajoso. Tão corajoso que quis conceder-me a Medalha de Honra do Congresso”, declarou o presidente perante a multidão. Trump acrescentou que chegou mesmo a perguntar à sua equipa se poderia atribuir a si próprio a mais alta condecoração militar dos Estados Unidos, afirmando que um dia poderia “testar a lei”.



A Medalha de Honra do Congresso é atribuída a militares que arriscaram a vida “para além do dever”, distinguindo atos de bravura excecionais em contexto de combate. Entre os condecorados ao longo da história encontram-se oficiais e sargentos que enfrentaram fogo inimigo no Vietname ou no Afeganistão para salvar camaradas sob ataque.

De acordo com o ‘The Independent’, Trump nunca serviu nas Forças Armadas dos EUA e não esteve envolvido em qualquer combate durante a sua visita de cerca de três horas e meia à Base Aérea de Al Asad, no Iraque, em 2018. Ainda assim, apresentou a deslocação como um ato de coragem pessoal, sugerindo em tom aparentemente jocoso que mereceria a distinção.

No mesmo discurso, centrado sobretudo na indústria transformadora e na economia, o presidente reiterou que herdou uma “situação caótica” e defendeu que a sua administração conseguiu inverter o rumo económico. Dados recentes do Pew Research Center indicam, porém, que apenas 28% dos americanos têm atualmente uma visão positiva da economia.

Trump, que ao longo do segundo mandato se tem apresentado como promotor da paz e já manifestou interesse em receber o Prémio Nobel da Paz, voltou também a abordar temas de política externa. O presidente foi reconhecido pelo papel num cessar-fogo entre Israel e o Hamas, embora os termos do acordo sejam considerados frágeis por alguns analistas.

Perante a reação às suas declarações sobre a medalha, Trump afirmou que estaria a “divertir-se” e antecipou que os “media de notícias falsas” poderiam retirar as suas palavras de contexto. Ainda assim, a referência direta à autoatribuição da mais elevada distinção militar dos EUA voltou a gerar controvérsia, dado o simbolismo associado à condecoração.

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