Empresas portuguesas preocupadas com ameaças híbridas e disrupção de cadeias de abastecimento, revela Barómetro da Porto Business School

O Barómetro do Risco Geopolítico para Empresas aponta os ciberataques de grande dimensão, a crise financeira e a disrupção das cadeias de abastecimento como os principais riscos a curto e médio/longo prazo.

André Manuel Mendes

A geopolítica assume cada vez mais centralidade nas decisões estratégicas das empresas portuguesas. A segunda edição do Barómetro do Risco Geopolítico para Empresas, promovido pelo Observatório do Risco Geopolítico para Empresas da Porto Business School (PBS), aponta os ciberataques de grande dimensão, a crise financeira e a disrupção das cadeias de abastecimento como os principais riscos a curto e médio/longo prazo.

O estudo revela que 63% dos executivos inquiridos consideram elevado o risco de ciberataques com patrocínio estatal, num contexto de guerra híbrida. A crise financeira, evocando memórias da recessão de 2007, surge como preocupação para 58% dos respondentes, enquanto a disrupção das cadeias de abastecimento sobe ao terceiro lugar, afetando sobretudo empresas exportadoras e importadoras, onde o risco é elevado para 72% dos inquiridos.



Para Jorge Rodrigues, co-coordenador do Observatório do Risco Geopolítico para Empresas da Porto Business School, esta perceção entra “num ‘terreno familiar’ de um risco cíclico, agrava pela identificação de que o risco geopolítico pode ainda desencadear ou agravar uma crise financeira ao gerar instabilidade, perda de confiança nos mercados e choques económicos que afetam investimentos, crédito e crescimento”.

O estudo identifica também tendências específicas por setor. Na indústria transformadora, a disrupção das cadeias de abastecimento lidera as preocupações, seguida de ciberataques e conflitos europeus. Já nas empresas financeiras e de seguros, os riscos energéticos ganham maior destaque. Por outro lado, empresas com investimento direto no estrangeiro não colocam a disrupção logística entre os três principais riscos.

Entre as estratégias de mitigação, as empresas portuguesas privilegiam parcerias estratégicas (44%), tratados multilaterais (42%), capacidade interna de I&D (40%) e melhoria da preparação geopolítica (37%). “O setor empresarial pretende aumentar competências e meios internos, sem depender apenas do Estado para mitigar riscos geopolíticos”, afirma Jorge Rodrigues.

A PBS aproveita ainda para anunciar a 8.ª edição do open executive program “Risco Geopolítico e Estratégia para Executivos”, desenvolvido em parceria com o Instituto da Defesa Nacional, que arranca a 5 de março. O programa aborda a geopolítica como fator estratégico para a sustentabilidade, resiliência e competitividade das empresas.

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