Caso Epstein: Ghislaine Maxwell invoca 5.ª Emenda e recusa depor perante o congresso dos EUA

Ghislaine Maxwell recusou-se a responder às perguntas dos deputados da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos durante uma audiência realizada esta segunda-feira, no âmbito da investigação ao falecido pedófilo Jeffrey Epstein.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 9, 2026
16:20

Ghislaine Maxwell recusou-se a responder às perguntas dos deputados da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos durante uma audiência realizada esta segunda-feira, no âmbito da investigação ao falecido pedófilo Jeffrey Epstein. A antiga cúmplice de Epstein, que cumpre uma pena de 20 anos de prisão no Texas após ter sido condenada em dezembro de 2021 por tráfico sexual, conspiração e exploração de menores, participou virtualmente na sessão do Comité de Supervisão da Câmara por menos de uma hora e invocou a Quinta Emenda, que protege os cidadãos de se autoincriminarem.

O advogado de Maxwell tinha antecipado esta posição, explicando que a sua cliente recorreria à Quinta Emenda devido ao recurso em curso contra a sua condenação no tribunal federal de Manhattan. No entanto, frisou que, caso fosse concedida clemência, Maxwell estaria disposta a depor de forma aberta e honesta em público perante o Congresso em Washington D.C.

O presidente do Comité de Supervisão, o republicano James Comer, e o deputado democrata Ro Khanna já tinham antecipado que Maxwell provavelmente se apoiaria na Quinta Emenda. Este último pretendia questionar a ex-companheira de Epstein sobre diversas alegações, incluindo se 29 associados do milionário assinaram acordos confidenciais de não persecução penal, e se revelaria os nomes das pessoas envolvidas. Khanna planeava ainda questionar Maxwell sobre possíveis ligações de Epstein ou da própria Maxwell com menores e o ex-presidente Donald Trump, embora até ao momento não exista qualquer evidência de irregularidades por parte de Trump, apesar de o seu nome surgir repetidamente nos ficheiros de Epstein.

Ghislaine Maxwell já tinha sido entrevistada durante nove horas ao longo de dois dias em julho pelo vice-procurador-geral Todd Blanche, ocasião em que garantiu não ter presenciado qualquer situação inapropriada envolvendo Donald Trump, enquanto este mantinha amizade com Epstein. A investigação e o processo judicial contra Maxwell basearam-se em evidências de que ela teria recrutado e explorado menores para Epstein, com o Departamento de Justiça a divulgar 3,5 milhões de documentos que detalham, de forma ainda incompleta, o funcionamento da rede de abuso criada pelo pedófilo e pela sua confidente. Esses documentos incluem relatórios policiais de Palm Beach, gravações de vítimas e e-mails internos do Departamento de Justiça.

Entre os conteúdos revelados nos ficheiros, há referência a Portugal. Alguns documentos mencionam alegações de que “milionários americanos” viajavam para o país para abusar sexualmente de menores na Casa Pia. A denúncia, enviada em 23 de julho de 2019, fazia referência ao terceiro episódio do documentário O Desaparecimento de Madeleine McCann e sugeria uma possível ligação entre Jeffrey Epstein e este caso de abuso infantil.

A audiência desta segunda-feira faz parte de um esforço bipartidário do Congresso norte-americano para avaliar o trabalho do Departamento de Justiça na investigação e acusação de Epstein e Maxwell, procurando compreender falhas, omissões e a extensão da rede de exploração sexual que afetou dezenas de vítimas ao longo de quase duas décadas de abusos.

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