Os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Leiria registaram, desde o dia 28 de janeiro, quando a depressão Kristin atingiu o concelho, 141 roturas na rede, encontrando-se cinco por resolver, anunciou hoje a empresa.
“Desde o início da tempestade, foram registadas 244 ocorrências relacionadas com o sistema de abastecimento de água. Destas, 141 correspondem a roturas na rede, encontrando-se apenas cinco ainda por resolver”, refere um comunicado enviado à agência Lusa às 13:16.
Segundo o comunicado, passados 13 dias sobre a depressão, os SMAS de Leiria “continuam a enfrentar um cenário de elevada exigência na recuperação do sistema de abastecimento de água”, mas, “apesar das inúmeras dificuldades, o abastecimento foi já reposto em quase todo o concelho”.
“Este trabalho tem sido assegurado pelos SMAS de Leiria, com o apoio de entidades do setor da água, empresas técnicas especializadas e da Marinha Portuguesa, num contexto marcado por danos significativos nas infraestruturas, falhas de energia elétrica e dificuldades de acesso”, explica.
Os SMAS alertam que, não obstante os “progressos alcançados, o sistema encontra-se ainda tecnicamente instável, devido à existência de roturas, avarias em equipamentos e constrangimentos energéticos, podendo verificar-se interrupções e variações de pressão, mesmo em zonas onde a água já foi restabelecida”.
As localidades que, pelas 13:15 de hoje, estavam sem abastecimento de água devido à existência de roturas graves ainda não localizadas são Chãs (Regueira de Pontes), Regueira de Pontes e Chão Direito (Barreira).
“Estas ocorrências exigem trabalhos técnicos especializados, uma vez que não apresentam sinais visíveis à superfície”, esclarece a empresa.
Ainda segundo os SMAS, “no âmbito da resposta à emergência, foram instalados 50 geradores”, 35 dos quais estão em funcionamento.
Quatro foram “instalados em regime de prevenção” e “os restantes foram encaminhados e emprestados para outros locais, no âmbito da gestão solidária de recursos”, precisa.
“Os SMAS de Leiria têm todos os seus operacionais mobilizados no terreno, apoiados por equipas técnicas especializadas de várias entidades gestoras de água”, adianta.
Estas equipas desenvolvem intervenções de eletromecânica em infraestruturas do sistema, purgas na rede de abastecimento e deteção de roturas com recurso a geofones, permitindo identificar fugas não visíveis, revela a empresa.
Segundo o comunicado, “este trabalho é particularmente importante nesta fase, uma vez que, após a estabilização dos níveis de água nos reservatórios, é necessário garantir que a água chega efetivamente aos clientes”, notando que, “em especial nas zonas mais elevadas, a acumulação de ar nas condutas continua a dificultar a circulação normal da água”.
Os SMAS, que garantem a qualidade da água fornecida, cuja monitorização foi reforçada, contam também “com o apoio de várias empresas técnicas especializadas” em trabalhos de reparação de roturas, eletromecânica e intervenções em bombas, geradores e quadros elétricos.
A empresa gera um sistema que integra 1.900 quilómetros de condutas de água, 73 reservatórios, 47 estações elevatórias e 13 estações de desinfeção.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.














