Lavrov avisa que um ataque europeu a Moscovo desencadearia “resposta militar em larga escala”

Ministro russo sublinhou que qualquer ataque iniciado pelos estados europeus seria enfrentado com todos os recursos militares disponíveis, em conformidade com a doutrina militar russa

Francisco Laranjeira
Fevereiro 9, 2026
11:29

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, alertou que Moscovo teria uma “resposta militar em larga escala” caso a Europa “cumprisse as suas ameaças” e atacasse o território russo. A declaração foi proferida em entrevista à televisão russa ‘NTV’ e revela uma linha de comunicação mais dura de Moscovo, na sequência de ciclos de tensão crescentes entre a Rússia e os países europeus, segundo a agência ‘Europa Press’.

Lavrov sublinhou que, apesar de a Rússia afirmar que a sua intervenção na Ucrânia é uma “operação militar especial” e de não pretender atacar “nenhuma parte da Europa”, qualquer ataque iniciado pelos estados europeus seria enfrentado com todos os recursos militares disponíveis, em conformidade com a doutrina militar russa.

O chefe da diplomacia russa insistiu que Moscovo não tem “absolutamente nenhuma necessidade” de lançar ofensivas contra países europeus e que não planeia tal ação. Esta narrativa coincide com declarações anteriores em que a Rússia afirma não ter intenções de ofensiva contra membros da União Europeia (UE) ou da NATO, mas que reagirá de forma determinada caso sofra “agressão”, conforme já foi dito pelo próprio Lavrov em discursos na Assembleia Geral das Nações Unidas.

As palavras de Lavrov surgem num contexto de tensões contínuas na Europa devido à guerra na Ucrânia, iniciada em 2022 após uma intervenção militar direta da Rússia e à qual se somaram anexações de territórios ucranianos. O conflito tem levado a movimentos militares e discursos de retaliação que alimentam preocupações de segurança em capitais europeias e entre membros da NATO.

Enquanto Moscovo procura contrapor-se a perceções de ameaça, a UE e a NATO intensificaram esforços de defesa coletiva nos últimos anos, citando a necessidade de proteção face à escalada militar russa e à possibilidade de incursões ou violações do espaço aéreo dos estados membros. A posição europeia tem sido reforçada por declarações de lideranças europeias que apelam a uma resposta unida às violações russas e a maior cooperação em matéria de defesa e segurança.

O debate sobre segurança europeia tem também sido marcado por confrontos no terreno, com ataques russos recorrentes à infraestrutura militar e civil na Ucrânia e preocupações quanto à estabilidade na região como um todo, intensificando a atenção dos países da UE à necessidade de reforçar capacidades defensivas.

A posição oficial de Moscovo, expressa por Lavrov, reflete uma linha diplomática que procura equilibrar a afirmação de não agressão contra a Europa com advertências claras sobre as consequências de um eventual conflito militar direto entre forças europeias e russas — um cenário que, segundo analistas, revelaria toda a profundidade das tensões que persistem na relação entre a Rússia e o Ocidente.

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