Washington denuncia testes nucleares ocultos da China e a rápida expansão do arsenal

De acordo com o responsável, Pequim terá procurado ocultar as explosões, recorrendo a métodos destinados a reduzir a deteção sísmica, por reconhecer que estes testes violam os compromissos internacionais de proibição

Francisco Laranjeira
Fevereiro 9, 2026
10:50

Os Estados Unidos afirmaram ter conhecimento de que a China realizou testes nucleares secretos, em violação dos compromissos globais contra este tipo de ensaios, incluindo um teste ocorrido em 2020. A acusação foi feita pelo subsecretário de Estado americano para o Controlo de Armas e Segurança Internacional, Thomas DiNanno, durante a Conferência sobre Desarmamento, em Genebra, indicou a revista ‘Newsweek’.

De acordo com o responsável, Pequim terá procurado ocultar as explosões, recorrendo a métodos destinados a reduzir a deteção sísmica, por reconhecer que estes testes violam os compromissos internacionais de proibição. DiNanno afirmou que os ensaios envolveram explosivos nucleares e incluíram preparativos para testes com rendimentos previstos na ordem das centenas de toneladas.

“As autoridades americanas estão cientes de que a China realizou testes de explosivos nucleares”, declarou o subsecretário, acrescentando que o Exército de Libertação Popular tentou disfarçar as explosões para evitar o escrutínio internacional.

As acusações assumem particular relevância num contexto em que tanto os Estados Unidos como a China são signatários do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, de 1996. Apesar de nenhum dos dois países o ter ratificado formalmente, Pequim comprometeu-se a respeitar os seus limites. Até agora, a Coreia do Norte era o único Estado com armas nucleares conhecido por ter violado este compromisso, refere a ‘Newsweek’.

Segundo DiNanno, a divulgação destas informações visa também esclarecer declarações do presidente americano, Donald Trump, que no outono passado ordenou ao Pentágono que retomasse os testes nucleares “em igualdade de condições”. Na altura, os comentários geraram alarme na comunidade internacional de não proliferação, enquanto Pequim negava qualquer violação da moratória sobre testes nucleares.

O subsecretário alertou ainda para a rápida expansão do arsenal nuclear chinês na última década. De acordo com os dados apresentados, a China dispõe atualmente de cerca de 600 ogivas nucleares, um número que estará a crescer a um ritmo aproximado de 100 por ano. Mantida esta tendência, Pequim poderá ultrapassar as mil ogivas até 2030, com apoio da Rússia na produção de material físsil de grau militar.

As declarações surgem num momento em que expirou o tratado Novo START entre os EUA Unidos e a Rússia, levando Washington a defender uma nova arquitetura de controlo de armas que inclua a China. Pequim, no entanto, reiterou a sua recusa em participar em negociações de desarmamento nuclear, argumentando que o seu arsenal é incomparavelmente menor do que o americano ou o russo.

DiNanno acusou ainda a China de aproveitar as limitações impostas aos arsenais dos EUA e da Rússia para expandir o seu próprio poderio estratégico a um ritmo “histórico”. Segundo imagens de satélite analisadas por entidades americanas, terão sido construídos cerca de 300 silos de mísseis balísticos intercontinentais nos desertos do norte da China, mais de uma centena dos quais já estariam equipados com mísseis capazes de atingir o território continental dos Estados Unidos.

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